
Aragosta alla catalana
Lagosta cozida e servida fria em pedaços, com tomate maduro, cebola crua, azeite e às vezes limão. É o prato que mais simboliza Alghero, cidade de herança catalã no noroeste da Sardenha.
Comida típica · Itália
Pizza em Nápoles, carciofi no antigo gueto de Roma, fugassa no café da manhã em Gênova e arancina no dia de Santa Lúcia em Palermo: a comida da Itália muda de cidade para cidade.
Na foto: Positano, Costa Amalfitana
Imagens ilustrativas. As fotos deste guia são ilustrações feitas a partir do lugar real, não fotografias, e podem ter diferenças em relação a ele.
A cozinha
A cozinha italiana é feita de cozinhas locais. Cada região, e muitas vezes cada cidade, tem as suas massas, os seus pães, os seus doces e as suas bebidas, ligados aos produtos da terra, às festas religiosas e à história de quem passou por ali. O mesmo prato pode mudar de nome, de forma e de recheio de um lugar para outro, e as discussões sobre qual é a receita verdadeira fazem parte da vida das cidades.
Muitas dessas especialidades têm reconhecimento oficial. Há pratos e doces protegidos por indicações geográficas da União Europeia, que definem como e onde podem ser feitos; receitas depositadas em câmaras de comércio, como as da massa e do ragù de Bolonha; denominações municipais, como as de Milão; e listas regionais de produtos tradicionais. A arte do pizzaiuolo napolitano está na lista do patrimônio cultural imaterial da UNESCO.
No norte, a cozinha usa mais manteiga, arroz e massas frescas de ovo. Milão tem o risoto de açafrão, a costeleta empanada e o panettone; Bolonha, as tagliatelle com ragù e os tortellini em caldo; Turim, o bicerin e o vermouth; Gênova, o pesto e a focaccia; Veneza, as sardinhas em molho agridoce e o bacalhau batido com azeite. Nas montanhas, a fonduta de Fontina do Vale de Aosta, os canederli do Trentino-Alto Ádige e as massas recheadas de beterraba de Cortina d'Ampezzo mostram uma cozinha alpina.
No centro e no sul, o azeite de oliva, o tomate, a sêmola de trigo duro e a ricota de ovelha ganham espaço. Florença grelha a bistecca na brasa e vende lampredotto nos quiosques; Siena guarda doces de amêndoa e especiarias de origem medieval; Roma tem as alcachofras fritas da tradição judaica e a carbonara; Nápoles, a pizza e a sfogliatella. Na Apúlia, Bari é a cidade da focaccia e das orecchiette feitas à mão na rua.
As ilhas têm cozinhas próprias. Na Sicília, as influências árabe, normanda e espanhola aparecem na cassata e no cannolo, e a comida de rua de Palermo vai da arancina ao pão com baço. Na Sardenha, o leitão assado na murta e as seadas com mel vêm da tradição pastoril, e Alghero, de herança catalã, serve a lagosta com tomate e cebola.
As especialidades atravessam fronteiras regionais: um mesmo doce, prato ou bebida pode fazer parte da tradição de vários lugares. As diferenças de ingredientes, nomes e modos de servir ajudam a conhecer a história de cada região.
37 sabores

Lagosta cozida e servida fria em pedaços, com tomate maduro, cebola crua, azeite e às vezes limão. É o prato que mais simboliza Alghero, cidade de herança catalã no noroeste da Sardenha.

Focaccia alta e macia, com batata cozida na massa, coberta de tomatinhos amassados, azeitonas, orégano e bastante azeite, com a borda crocante. Leva o nome de Bari e é o lanche mais comum da cidade.

Pequenas massas de sêmola em forma de orelha, feitas à mão, cozidas com folhas e brotos de nabo e temperadas com alho, anchova, pimenta e azeite. Em Bari, as orecchiette são feitas à vista na rua da cidade velha.

Fitas de massa fresca de ovo servidas com ragù, um molho de carne cozido lentamente com tomate. A largura da tagliatella e a receita do ragù estão registradas na Câmara de Comércio de Bolonha.

Pequenas massas de ovo dobradas em anel, recheadas de carne de porco, presunto, mortadela e queijo, servidas num caldo de carne. A receita do recheio está registrada em Bolonha, e o prato é tradicional nas festas de fim de ano.

Duas folhas de massa finíssimas, sem fermento, com queijo fresco derretido entre elas, assadas em forno muito quente em assadeiras redondas de cobre. É protegida como indicação geográfica e só pode ser feita em Recco, Sori, Avegno e Camogli.

Prato frio de fatias de tomate e mozzarella intercaladas, com folhas de manjericão e azeite. Vermelho, branco e verde, leva o nome da ilha de Capri, onde nasceu segundo os relatos mais citados.

Bolo baixo de chocolate amargo e amêndoas, feito sem farinha de trigo. Tem casquinha fina por fora e miolo úmido. Leva o nome de Capri, onde várias histórias situam o seu nascimento.

Massa com molho de tomate, berinjela frita, manjericão e ricota salgada ralada por cima. É o prato que identifica Catânia, e o nome homenageia a ópera Norma, do compositor catanense Vincenzo Bellini.

Meias-luas de massa fresca recheadas de beterraba e batata, temperadas com manteiga derretida, sementes de papoula e queijo. São a massa típica de Cortina d'Ampezzo, nas Dolomitas.

Pão redondo e achatado de farinha, banha ou azeite, sal e água, assado na chapa e recheado na hora com frios, queijo ou verduras. É a comida de toda a Romanha, protegida como indicação geográfica, em duas versões: a mais grossa e a fina, de Rimini.

Bisteca alta de boi, com osso em forma de T, grelhada na brasa e servida malpassada, temperada só com sal e azeite. Leva o nome de Florença e costuma ser pedida para dividir.

Sanduíche de lampredotto, o quarto estômago do boi, cozido lentamente em caldo e servido em pão redondo com molho verde ou picante. É a comida de rua mais típica de Florença, vendida nos quiosques dos trippai.

Focaccia baixa e macia, marcada por covinhas cheias de azeite e salmoura, com a superfície dourada e salgada. Os genoveses a comem a qualquer hora, inclusive no café da manhã, molhada no café com leite.

Massa curta e torcida, feita à mão, temperada com pesto genovese: manjericão, alho, pinoli, queijos e azeite socados no pilão. Gênova é a cidade do pesto, e as trofie vêm do litoral vizinho.

Costeleta de vitela com osso, passada no ovo e na farinha de rosca e frita na manteiga. Em 2008, a prefeitura de Milão lhe deu a denominação municipal com o nome costoletta alla milanese.

Pão doce alto e cilíndrico, de massa fermentada lentamente, com manteiga, ovos, passas e frutas cristalizadas. É o doce de Natal de Milão, cercado de lendas sobre a sua origem.

Risoto amarelo de açafrão, cozido no caldo de carne e finalizado com manteiga e queijo. É o prato mais associado à cozinha de Milão e acompanha também o ossobuco.

Pizza de massa macia e borda alta e aerada, aberta à mão e assada em poucos instantes em forno a lenha. As versões clássicas são a marinara e a margherita. A arte de quem a prepara em Nápoles é patrimônio imaterial reconhecido pela UNESCO.

Doce em forma de concha feito de lâminas finíssimas de massa sobrepostas, que estalam ao morder. O recheio é de sêmola cozida, ricota, açúcar e frutas cristalizadas. Comida morna, é uma das peças mais conhecidas da confeitaria de Nápoles.

Bolinho de arroz com açafrão, recheado, empanado e frito. Em Palermo chama-se arancina, no feminino, e é redondo como uma laranja. É a comida do dia de Santa Lúcia, 13 de dezembro, quando os palermitanos não comem pão nem massa.

Bolo de pão de ló e creme de ricota adoçada, revestido de pasta reale verde e coberto de glacê e frutas cristalizadas. Doce da Páscoa, reúne em camadas a história da Sicília e está ligado aos conventos de Palermo.

Pão macio com gergelim recheado de baço e pulmão de vitela cozidos e depois aquecidos na banha. Pode vir só com limão ou com queijo e ricota. É o sanduíche de rua mais típico de Palermo.

Alcachofras romanas inteiras, fritas duas vezes em azeite até se abrirem como uma flor dourada, com folhas crocantes e coração macio. É um prato da tradição judaico-romana, ligado ao antigo gueto da cidade.

Massa temperada com gema de ovo, guanciale tostado, pecorino romano e pimenta-do-reino moída na hora. O creme se forma com o calor da massa, sem creme de leite. Embora a origem seja discutida, é um dos pratos que identificam a cozinha de Roma.

Leitão inteiro assado lentamente no espeto junto ao fogo de lenha, perfumado com murta, até a pele ficar crocante. É o prato das festas e dos grandes encontros na Sardenha, servido em bandejas de cortiça.

Discos de massa de sêmola recheados de queijo fresco com casca de limão ou laranja, fritos e cobertos de mel. É o doce mais conhecido da Sardenha, nascido no interior pastoril da ilha.

Tubo de massa frita e crocante recheado na hora com creme doce de ricota de ovelha, decorado nas pontas com frutas cristalizadas ou pistache. É o doce mais conhecido da Sicília, ligado ao Carnaval.

Doce redondo, baixo e denso, de frutas cristalizadas, amêndoas, mel e especiarias. Tem origem medieval em Siena e duas versões: a branca, coberta de açúcar, e a escura, mais condimentada. É protegido como indicação geográfica.

Biscoitos macios de massa de amêndoa, açúcar e clara de ovo, em forma de losango, com a superfície rachada e coberta de açúcar. São um dos doces de Natal de Siena e têm indicação geográfica protegida.

Bolinhos de pão amanhecido misturado com leite, ovos e speck, queijo ou ervas, cozidos e servidos em caldo ou com manteiga derretida. São o prato das duas províncias do Trentino-Alto Ádige, onde também se chamam Knödel.

Bebida quente servida em copo pequeno de vidro, em três camadas que não se misturam: chocolate quente, café espresso e creme de leite. É a bebida típica de Turim, ligada aos cafés históricos da cidade desde o século 18.

Vinho aromatizado com artemísia, ervas e especiarias, nascido em Turim no fim do século 18. Bebido puro ou em coquetéis, é a base do aperitivo turinense e tem indicação geográfica própria.

Creme quente e liso de queijo Fontina derretido lentamente com leite, manteiga e gemas, servido com pão tostado, batatas ou polenta. É o prato que melhor representa a Fontina DOP, o queijo do Vale de Aosta.

Bacalhau seco ao ar, demolhado, cozido e batido com azeite até virar um creme branco e leve. É servido sobre polenta ou pão nos bacari de Veneza e liga a cidade à história do navegador que trouxe esse peixe da Noruega.

Sardinhas fritas cobertas de cebola cozida no vinagre, com passas e pinoli, deixadas a descansar até pegar o sabor agridoce. Nasceram como forma de conservar o peixe nos barcos e são o prato da Festa del Redentore, em Veneza.

Pão doce alto e macio em forma de estrela de oito pontas, de massa amarela rica em manteiga e ovos, coberto de açúcar de confeiteiro na hora de servir. Nasceu em Verona no fim do século 19 e é um dos dois doces de Natal da Itália.
Sugira um prato, doce ou bebida típica da Itália que não está aqui. Conferimos as fontes antes de incluir.
Sabores dos países
Escolha um país para ver os pratos, doces e bebidas típicas dele.
Tire suas dúvidas
A cozinha italiana é formada por muitas cozinhas regionais e locais. Cada cidade tem as suas massas, doces e bebidas, e a mesma receita pode mudar de nome e de forma de um lugar para outro.
São indicações geográficas da União Europeia. IGP é indicação geográfica protegida e DOP, denominação de origem protegida. As duas definem onde e como o produto pode ser feito para usar o nome.
Os mais conhecidos são o panettone, ligado a Milão, e o pandoro, nascido em Verona. Em Siena, o panforte e os ricciarelli também são doces natalinos.
Cada cidade tem a sua. Em Florença, o sanduíche de lampredotto; em Palermo, a arancina e o pani ca' meusa; em Bari, a focaccia barese; em Nápoles, a pizza dobrada para comer andando.