
Antwerpse handjes
Biscoito amanteigado com lâminas de amêndoa, ou bombom de chocolate, em forma de mão. Lembra a lenda do herói Brabo e do gigante Antigoon, que explica o nome Antwerpen, e é especialidade da cidade desde 1934.
Imagens ilustrativas. As fotos deste guia são ilustrações feitas a partir do lugar real, não fotografias, e podem ter diferenças em relação a ele.
Comida típica · Bélgica
Do waffle de Liège ao croquete de camarão de Ostende: especialidades ligadas a cidades e províncias da Bélgica, com a história e o jeito de comer cada uma.
Na foto: Grand-Place, Bruxelas
A cozinha
A cozinha belga muda de uma cidade para outra. No norte, em Flandres, fala-se flamengo; no sul, na Valônia, francês; Bruxelas, a capital, é bilíngue. Por isso os nomes das especialidades aparecem na língua do lugar onde nasceram ou onde são mais conhecidas: Gentse waterzooi em Gante, couque de Dinant no vale do Mosa, tarte al djote em Nivelles.
Muitas dessas receitas têm proteção oficial. A União Europeia registra nomes como a Geraardsbergse mattentaart, a Limburgse vlaai, a Escavèche de Chimay e a cerveja Vlaams roodbruin, e só quem produz na região e segue as regras pode usá-los. Em várias cidades, confrarias locais defendem a receita tradicional, organizam degustações às cegas e dão selos de qualidade.
Há pratos de festa e pratos de todo dia. Em Tournai, o coelho com ameixas é o centro de um jantar que acontece uma vez por ano, na segunda-feira depois do Dia de Reis. Em Ostende, o croquete de camarão-cinzento é entrada comum nas brasseries da costa. Os waffles de Bruxelas e de Liège se comem na rua, a qualquer hora.
Biscoitos, tortinhas e bebidas também contam a história dos lugares. A mão de biscoito de Antuérpia lembra a lenda que explica o nome da cidade; o jenever de Hasselt guarda séculos de destilarias; a geuze do Pajottenland nasce da fermentação espontânea, com leveduras do próprio ar. Cerveja e destilado fazem parte da cultura local e se apreciam em pequenas doses.
Cada especialidade aparece aqui ligada a uma cidade ou província que a representa. Isso não quer dizer que só se coma ali: muitas atravessaram a fronteira da região e são encontradas no país inteiro. A página de cada uma explica a relação com o lugar, os ingredientes e o costume de servir.
14 sabores

Biscoito amanteigado com lâminas de amêndoa, ou bombom de chocolate, em forma de mão. Lembra a lenda do herói Brabo e do gigante Antigoon, que explica o nome Antwerpen, e é especialidade da cidade desde 1934.

Tortinha redonda de Lier, na província de Antuérpia, com massa crocante sem açúcar e recheio escuro de pão ralado, xarope de açúcar-cande e especiarias. O nome é protegido por indicação geográfica europeia.

Torta salgada de Nivelles, no Brabante Valão, feita com queijo fresco fermentado, acelga, ovos e muita manteiga, servida bem quente. Uma confraria local avalia os produtores e dá selos de qualidade todos os anos.

Waffle retangular, leve e crocante por fora, macio por dentro, servido polvilhado com açúcar de confeiteiro. É a primeira especialidade apresentada pelo turismo oficial de Bruxelas e aparece em pinturas flamengas ligadas às festas.

Biscoito muito duro, feito só de mel e farinha de trigo, prensado em moldes de madeira esculpidos com animais, figuras e vistas da cidade. Tradição de Dinant, no vale do Mosa, deve ser amolecido na boca, e não mordido.

Tortinha de massa folhada recheada com matten, a coalhada de leite cru de vaca, ovos e açúcar. É feita em Geraardsbergen e Lierde, na província de Flandres Oriental, e tem indicação geográfica protegida pela União Europeia.

Ensopado cremoso de Gante, com caldo engrossado por creme, legumes como cenoura, alho-poró e salsão, batata e frango. As primeiras versões eram feitas com peixe de rio, e o peixe continua a aparecer em algumas cozinhas da cidade.

Peixe cozido, servido frio numa gelatina de vinagre com cebola, tradicionalmente em pote de grés. Tem indicação geográfica europeia, com produção em Chimay e em municípios vizinhos das províncias de Hainaut e de Namur.

Destilado de cereais aromatizado com zimbro e ervas, mais suave e adocicado que outros jenever. Tem indicação geográfica europeia: precisa ser destilado em Hasselt, Zonhoven ou Diepenbeek. A cidade mantém um museu da bebida numa antiga destilaria.

Waffle denso, de massa tipo brioche com pedaços de açúcar pérola que caramelizam na chapa. Arredondado e sem cantos, é comido quente e sem cobertura. Segundo a tradição, foi criado em Liège no século 18.

Torta aberta de arroz-doce cremoso sobre massa fina, típica de Verviers, na província de Liège. Come-se morna ou fria, a qualquer hora do dia, muitas vezes com café.

Torta redonda de massa fina fermentada com recheio farto de frutas, arroz-doce ou creme. É feita no Limburgo belga e no Limburgo holandês, e o nome é protegido por indicação geográfica europeia.

Croquete de molho cremoso com camarão-cinzento do Mar do Norte, empanado e frito, servido com salsa frita e limão. A versão de Ostende é reconhecida como produto regional flamengo, com regras para a origem do camarão e para o recheio.

Coelho cozido lentamente com cebola, ameixa-preta e uva-passa, servido com batata. É o prato do jantar do Lundi perdu, a segunda-feira depois do Dia de Reis, tradição de Tournai reconhecida como patrimônio imaterial pela Federação Valônia-Bruxelas.
Tire suas dúvidas
O de Bruxelas é retangular, leve e crocante, feito de massa líquida com claras batidas, e quase não tem açúcar: costuma vir com açúcar de confeiteiro ou cobertura. O de Liège é arredondado e denso, de massa tipo brioche com açúcar pérola, que carameliza na chapa, e se come sem cobertura.
A Bélgica tem regiões de línguas diferentes: o flamengo no norte (Flandres), o francês no sul (Valônia) e as duas línguas em Bruxelas. Cada especialidade mantém o nome usado no lugar de onde vem.
Entre outras, a Geraardsbergse mattentaart, o Liers vlaaike, a Limburgse vlaai, a Escavèche de Chimay, a cerveja Vlaams roodbruin e o jenever de Hasselt têm indicação geográfica. A Oude Geuze é protegida como especialidade tradicional garantida, que protege o método de produção.