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A Terra e o Turismo

Permafrost: a terra que nunca descongela

O chão que fica congelado o ano inteiro, às vezes há milhares de anos, por baixo do Alasca, do Canadá, da Sibéria, da Groenlândia e das montanhas altas, e o que muda quando ele começa a derreter.

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Toque num ponto do mapa. Cerca de um quarto das terras do hemisfério norte tem permafrost por baixo; no Brasil não há.

Fontes: NSIDC (Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo dos EUA), Associação Internacional do Permafrost, Instituto Melnikov do Permafrost e CRREL. Mapa: Natural Earth.

O que é o permafrost

Corte no barranco de um rio mostra o solo escuro com camadas de gelo por baixo da tundra.
Corte no barranco de um rio mostra o solo escuro com camadas de gelo por baixo da tundra.

Permafrost, ou pergelissolo em português, é o chão que fica a 0 °C ou menos por pelo menos dois anos seguidos. Pode ser terra, areia, cascalho ou rocha, com ou sem gelo dentro. Em muitos lugares ele existe há milhares de anos e chega a centenas de metros de profundidade.

Por cima dele fica a camada ativa, que descongela no verão e volta a congelar no inverno. Ela pode ter poucos centímetros ou alguns metros. É nessa camada que crescem as plantas da tundra e onde a água do degelo fica parada, porque não consegue descer pelo chão congelado logo abaixo.

Onde fica

Tundra plana do norte do Canadá no fim do verão, com lagos rasos espalhados até o horizonte.
Tundra plana do norte do Canadá no fim do verão, com lagos rasos espalhados até o horizonte.

A maior parte do permafrost está no Hemisfério Norte. A região onde ele aparece ocupa cerca de 23 milhões de km², perto de um quarto das terras sem gelo do hemisfério. Como nem todo o chão dessa região é congelado, a área de fato por cima de permafrost fica em torno de 15%.

Cerca de dois terços estão na Eurásia, sobretudo na Sibéria, e o restante na América do Norte e na Groenlândia. Ele vai do norte da Groenlândia, a 84° de latitude, até as montanhas do Himalaia, a 26°. No Hemisfério Sul aparece nas áreas da Antártida sem gelo, como os Vales Secos, e no alto de cordilheiras, como os Andes.

Contínuo, descontínuo e esporádico

Floresta de coníferas baixas e inclinadas sobre o chão congelado do interior do Alasca.
Floresta de coníferas baixas e inclinadas sobre o chão congelado do interior do Alasca.

Os cientistas dividem o permafrost pela parte do terreno que ele cobre. No permafrost contínuo, mais de 90% do chão é congelado; é o caso do extremo norte do Canadá, do Alasca e da Sibéria. No descontínuo, ele cobre de metade a quase todo o terreno, e no esporádico aparece em manchas.

Mais ao sul, o chão congelado fica só nos lugares mais frios: encostas voltadas para o polo, turfeiras e sombras de floresta. Nas montanhas, ele depende da altitude: nos Alpes, por exemplo, há permafrost nos picos mais altos, dentro da rocha.

Profundo e antigo

Paredão de terra congelada com camadas de gelo, numa encosta da Sibéria que desmoronou com o degelo.
Paredão de terra congelada com camadas de gelo, numa encosta da Sibéria que desmoronou com o degelo.

Na Sibéria, o permafrost passa de 1.000 metros de profundidade em alguns lugares. Boa parte dele se formou nas eras glaciais e guarda, congelados, restos de plantas e animais de dezenas de milhares de anos.

No nordeste da Sibéria, na Iacútia, a depressão de Batagaika, aberta no permafrost a partir dos anos 1960, tem cerca de 1 quilômetro de comprimento. Nas paredes dela aparecem camadas de solo de centenas de milhares de anos, e em 2018 foi encontrado ali o corpo congelado de um potro de uma espécie de cavalo extinta, com cerca de 42 mil anos.

Viver e construir em cima

Casas coloridas apoiadas sobre estacas, com o vão livre por baixo, numa vila do Ártico canadense.
Casas coloridas apoiadas sobre estacas, com o vão livre por baixo, numa vila do Ártico canadense.

Uma casa aquecida, construída direto sobre o permafrost, derrete o chão por baixo e afunda. Por isso, nas cidades do Ártico, muitos prédios ficam sobre estacas cravadas fundo no chão congelado, com um vão por onde o ar frio passa. Canos de água e esgoto costumam correr acima do solo, em caixas isoladas.

O oleoduto Trans-Alasca corre suspenso em boa parte do caminho, e muitos dos seus suportes têm tubos que tiram o calor do chão no inverno, os termossifões. Na China, a ferrovia Qinghai-Tibete passa por centenas de quilômetros de permafrost com sistemas parecidos para manter o chão gelado.

Quando o permafrost derrete

Lago raso e bordas de terra desmoronada no meio da tundra, formados pelo degelo do chão.
Lago raso e bordas de terra desmoronada no meio da tundra, formados pelo degelo do chão.

Com o aquecimento do Ártico, que esquenta mais rápido que a média do planeta, a camada ativa fica mais funda e o permafrost começa a derreter em muitos lugares. Onde o chão tem muito gelo, ele cede: surgem buracos, lagos novos e encostas que desmoronam, num tipo de relevo chamado termocarste.

Para quem mora em cima, isso significa estradas onduladas, casas tortas, postes inclinados e costas que recuam com a erosão do mar. No Alasca, no Canadá e na Sibéria, há vilas que precisam mudar de lugar.

O carbono guardado

Turfeira úmida da tundra, com musgo e capim sobre o solo escuro e rico em matéria orgânica.
Turfeira úmida da tundra, com musgo e capim sobre o solo escuro e rico em matéria orgânica.

O solo da região do permafrost guarda cerca de 1,4 a 1,6 trilhão de toneladas de carbono, aproximadamente o dobro do que existe hoje na atmosfera. São plantas e animais que congelaram antes de se decompor.

Quando o chão derrete, micróbios voltam a decompor esse material e soltam gás carbônico e metano, que aquecem o planeta e fazem derreter mais permafrost. Por isso os cientistas acompanham o degelo de perto: é uma das incertezas grandes nas previsões do clima.

Onde o viajante pode ver

Colina arredondada de terra coberta de vegetação, um pingo, na tundra perto do mar de Beaufort.
Colina arredondada de terra coberta de vegetação, um pingo, na tundra perto do mar de Beaufort.

Em Fairbanks, no Alasca, o Museu do Norte da Universidade do Alasca explica o permafrost e os animais congelados encontrados na região. Perto da cidade fica o Túnel do Permafrost, cavado no chão congelado pelo Exército dos Estados Unidos para pesquisa; ele raramente abre ao público, mas tem visita virtual. Para os museus e as estradas do Ártico, confira antes os dias de abertura e as condições.

No Canadá, a estrada Dempster leva a Inuvik, cidade construída sobre estacas, e de lá outra estrada segue até Tuktoyaktuk, na costa do Ártico, onde há pingos, colinas de terra com um núcleo de gelo. Em Longyearbyen, em Svalbard, as casas também ficam sobre estacas, e o Banco Mundial de Sementes foi aberto dentro da montanha para aproveitar o frio do permafrost.

Na Groenlândia, em Ilulissat e Kangerlussuaq, e nas montanhas altas dos Alpes e dos Andes, o permafrost não se vê, mas está por baixo da paisagem: as quedas de rocha no verão, em alguns picos dos Alpes, estão ligadas ao degelo dentro da montanha.

Perguntas frequentes

O que é permafrost?

É o chão que fica a 0 °C ou menos por pelo menos dois anos seguidos. Em português também se chama pergelissolo.

O permafrost é só gelo?

Não. É terra, areia, cascalho ou rocha congelados; parte dele tem muito gelo dentro, em camadas e cunhas, e parte quase não tem.

Onde existe permafrost?

Sobretudo no Hemisfério Norte: Sibéria, norte do Canadá, Alasca e Groenlândia, além das montanhas altas, como o Himalaia e os Alpes. No sul, aparece nas áreas sem gelo da Antártida e no alto dos Andes.

O que é a camada ativa?

É a camada de cima do chão, que descongela no verão e volta a congelar no inverno. O permafrost fica logo abaixo dela.

Qual a profundidade do permafrost?

Varia de poucos metros a mais de 1.000 metros, em partes da Sibéria.

Por que as casas do Ártico ficam sobre estacas?

Para que o calor da casa não derreta o chão congelado. As estacas vão fundo no permafrost, e o ar frio passa pelo vão embaixo do piso.

O que acontece quando o permafrost derrete?

O chão com gelo cede, surgem buracos e lagos, estradas e casas se deformam, e o solo solta gás carbônico e metano que estavam presos.

Por que o degelo do permafrost preocupa o clima?

Porque o solo da região guarda cerca de duas vezes o carbono da atmosfera. Ao derreter, parte dele vira gás de efeito estufa, que aquece mais o planeta.

Onde o turista pode ver o permafrost?

Em Fairbanks, no Alasca, no Museu do Norte; no Canadá, em Inuvik e nos pingos de Tuktoyaktuk; e em Longyearbyen, em Svalbard, com as casas sobre estacas.

Existe permafrost no Brasil?

Não. O clima do país é quente demais; o mais perto fica no alto dos Andes e na Antártida.