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A Terra e o Turismo

Eclipses do Sol e da Lua

Como acontecem os eclipses do Sol e da Lua, como eles aparecem no céu e quando serão os próximos, com os que dá para ver do Brasil.

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Como acontece

Fora de escala: o Sol é 400 vezes maior que a Lua e fica 400 vezes mais longe, e por isso os dois parecem do mesmo tamanho no céu.

Como se vê do chão

Calendário de eclipses: datas e onde ver

    Datas e lugares: NASA (Fred Espenak), Observatório Nacional e timeanddate. A data é a do momento máximo, no horário universal; os horários mudam de cidade para cidade.

    O que é um eclipse

    No eclipse total, a Lua cobre o Sol e aparece a coroa, a atmosfera do Sol.
    No eclipse total, a Lua cobre o Sol e aparece a coroa, a atmosfera do Sol.

    Eclipse é quando o Sol, a Terra e a Lua ficam alinhados. No eclipse do Sol, a Lua passa na frente do Sol e faz sombra numa faixa da Terra; isso só pode acontecer na lua nova. No eclipse da Lua, a Terra fica entre o Sol e a Lua e a Lua entra na sombra da Terra; isso só pode acontecer na lua cheia.

    Então por que não há eclipse todo mês? Porque a órbita da Lua é inclinada cerca de 5 graus em relação à órbita da Terra. Na maioria dos meses, a Lua passa um pouco acima ou um pouco abaixo da linha entre o Sol e a Terra. O alinhamento só acontece em duas épocas do ano, as temporadas de eclipse, e por isso cada ano tem de 4 a 7 eclipses, somando os do Sol e os da Lua.

    Um eclipse ajudou a mudar a ciência no Brasil: em 29 de maio de 1919, cientistas fotografaram as estrelas em volta do Sol eclipsado em Sobral, no Ceará, e mostraram que a luz se curva perto do Sol, como previa a teoria da relatividade de Einstein.

    Total, anular e parcial

    No eclipse anular, a Lua não cobre o Sol inteiro e sobra o anel de fogo.
    No eclipse anular, a Lua não cobre o Sol inteiro e sobra o anel de fogo.

    Por uma coincidência, o Sol é cerca de 400 vezes maior que a Lua e fica cerca de 400 vezes mais longe. Por isso, no céu, os dois parecem do mesmo tamanho, e a Lua consegue tapar o Sol quase na medida certa.

    No eclipse total, a Lua cobre o Sol inteiro: o dia vira noite por alguns minutos, a temperatura cai, aparecem estrelas e a coroa, a atmosfera do Sol, brilha em volta da Lua. Só quem está dentro de uma faixa estreita, de algumas dezenas a pouco mais de cem quilômetros de largura, vê a totalidade.

    Quando o eclipse acontece com a Lua mais longe da Terra, perto do apogeu, ela parece um pouco menor que o Sol e não o cobre inteiro: sobra um anel brilhante em volta, o "anel de fogo" do eclipse anular. Fora da faixa central, o eclipse é parcial, com a Lua mordendo só uma parte do Sol.

    Cada eclipse tem o seu lugar

    Cada eclipse tem o seu lugar

    A sombra da Lua é pequena perto da Terra: a faixa em que o eclipse do Sol é total tem no máximo cerca de 270 quilômetros de largura e atravessa o planeta em poucas horas. Fora dela, numa área bem maior, o eclipse é só parcial. Por isso um mesmo lugar espera, em média, uns 375 anos entre um eclipse total do Sol e o seguinte.

    O eclipse da Lua é diferente: quando ele acontece, todo mundo que está no lado da Terra onde é noite pode ver, e a fase total pode passar de uma hora. É por isso que os eclipses da Lua parecem mais comuns, embora aconteçam em número parecido com os do Sol.

    A Lua vermelha

    No eclipse lunar, a Lua fica avermelhada com a luz que atravessa a atmosfera da Terra.
    No eclipse lunar, a Lua fica avermelhada com a luz que atravessa a atmosfera da Terra.

    No eclipse total da Lua, ela não some: fica avermelhada. A luz do Sol que atravessa a atmosfera da Terra é desviada para dentro da sombra e chega à Lua com a cor dos pores do sol. É a chamada lua de sangue.

    O eclipse da Lua é visto ao mesmo tempo por todo o lado da Terra em que é noite, dura algumas horas e pode ser visto a olho nu, sem nenhum perigo. A borda curva da sombra da Terra sobre a Lua foi uma das pistas que os gregos antigos usaram para concluir que a Terra é redonda.

    Como olhar sem machucar os olhos

    Só óculos próprios para eclipse protegem a vista; óculos escuros comuns não servem.
    Só óculos próprios para eclipse protegem a vista; óculos escuros comuns não servem.

    Olhar para o Sol durante um eclipse parcial ou anular pode queimar a retina, sem dor na hora. Use só óculos de eclipse certificados, com a norma ISO 12312-2, e confira se não estão riscados. Óculos escuros, radiografia, filme fotográfico, vidro esfumaçado e CD não protegem.

    Uma alternativa segura é a projeção: um furinho num papelão projeta a imagem do Sol num papel branco, e até a sombra das folhas de uma árvore mostra pequenos sóis mordidos. Máquina fotográfica, binóculo e telescópio só com filtro solar próprio na frente.

    Só nos minutos da totalidade de um eclipse total é seguro olhar sem os óculos; assim que o Sol volta a aparecer, eles voltam para o rosto. O eclipse da Lua não precisa de nenhuma proteção.

    Os próximos eclipses no Brasil

    Num eclipse parcial, a luz que passa entre as folhas desenha pequenas meias-luas no chão.
    Num eclipse parcial, a luz que passa entre as folhas desenha pequenas meias-luas no chão.

    Em 6 de fevereiro de 2027, sábado de Carnaval, um eclipse anular do Sol forma o anel de fogo numa faixa do extremo sul do Rio Grande do Sul, na fronteira com o Uruguai. No resto do país ele é parcial, com cerca de 90% do Sol coberto no Rio de Janeiro.

    Em 26 de janeiro de 2028, outro anel de fogo passa pelo Norte, no Amazonas e no Pará, com até cerca de 10 minutos e meio de duração. Na noite de 25 para 26 de junho de 2029, um eclipse total da Lua pode ser visto em todo o país, e em 20 de dezembro de 2029 há outro, ao anoitecer.

    O próximo eclipse total do Sol no Brasil será em 12 de agosto de 2045, com a faixa da escuridão atravessando o Norte e o Nordeste. O último foi em 3 de novembro de 1994, no Sul.

    Viajar para ver um eclipse

    Quem viaja para ver um eclipse costuma escolher lugares de céu limpo.
    Quem viaja para ver um eclipse costuma escolher lugares de céu limpo.

    Muita gente viaja para ficar dentro da faixa da totalidade, e as cidades da rota costumam lotar com anos de antecedência. Em 2 de agosto de 2027, o eclipse total do Sol passa pelo sul da Espanha, por Marrocos e pelo Egito, com até 6 minutos e 23 segundos de escuridão perto de Luxor, um dos mais longos do século.

    Em 22 de julho de 2028, a totalidade passa pela Austrália, inclusive por Sydney, e pela Nova Zelândia. Na hora de escolher o destino, além da faixa, vale olhar o clima típico da época: céu nublado esconde o eclipse.

    A data e a faixa de um eclipse são certas, mas o céu não: nuvens podem esconder o Sol ou a Lua justamente na hora. Por isso vale escolher lugares e épocas de tempo seco e estar pronto para mudar de ponto na véspera.

    Onde ver na viagem

    Lugares do guia ligados a este assunto. Toque para abrir a página do lugar.

    Anel de fogo · 6 de fevereiro de 2027

    Eclipse total · 2 de agosto de 2027

    Perguntas frequentes

    Qual é a diferença entre eclipse do Sol e eclipse da Lua?

    No eclipse do Sol, a Lua passa na frente do Sol e faz sombra na Terra; acontece na lua nova e só é visto numa faixa do planeta. No eclipse da Lua, a Lua entra na sombra da Terra; acontece na lua cheia e é visto por todo o lado da Terra em que é noite.

    Por que não acontece eclipse todo mês?

    Porque a órbita da Lua é inclinada cerca de 5 graus em relação à da Terra. Na maioria das luas novas e cheias, a Lua passa acima ou abaixo da linha entre o Sol e a Terra.

    O que é o anel de fogo?

    É o eclipse anular do Sol: a Lua está mais longe da Terra, parece um pouco menor que o Sol e não o cobre inteiro, deixando um anel brilhante em volta.

    O que é a lua de sangue?

    É a Lua durante o eclipse total da Lua. Ela fica avermelhada porque a luz do Sol que atravessa a atmosfera da Terra chega até ela com a cor dos pores do sol.

    Como ver um eclipse do Sol sem prejudicar os olhos?

    Só com óculos de eclipse certificados (norma ISO 12312-2) ou pela projeção num furinho de papelão. Óculos escuros, radiografia e filme não protegem. O eclipse da Lua pode ser visto a olho nu.

    Quando é o próximo eclipse visível no Brasil?

    Em 6 de fevereiro de 2027, um eclipse anular do Sol, com o anel de fogo no extremo sul do Rio Grande do Sul e parcial no resto do país.

    Quando é o próximo eclipse total do Sol no Brasil?

    Em 12 de agosto de 2045, com a faixa da totalidade atravessando o Norte e o Nordeste. O último foi em 1994, no Sul do país.

    Onde ver o eclipse total de 2027?

    Em 2 de agosto de 2027, a totalidade passa pelo sul da Espanha, pelo norte da África (Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia e Egito) e pela Arábia Saudita e o Iêmen. Perto de Luxor, no Egito, ela dura até 6 minutos e 23 segundos.