Imagens ilustrativas. As fotos deste guia são ilustrações feitas a partir do lugar real, não fotografias, e podem ter diferenças em relação a ele.

Antártida

A vida na Antártida

Quase toda a vida da Antártida depende do mar: do krill, que alimenta pinguins, focas e baleias, aos peixes com anticongelante no sangue. Em terra, sobrevivem musgos, líquens, um mosquito sem asas e micróbios no gelo.

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O krill, base da cadeia

O krill antártico, Euphausia superba, é um pequeno crustáceo parecido com um camarão, de até cerca de 6 centímetros. Ele vive em cardumes que podem ocupar quilômetros e comer as algas microscópicas que crescem no mar e sob o gelo marinho.

A melhor estimativa do total de krill no oceano Austral é de cerca de 379 milhões de toneladas, segundo a CCAMLR, a comissão que regula a pesca na região. É uma das maiores massas de uma única espécie animal na Terra, maior que a de toda a humanidade.

Quase todos os grandes animais da Antártida comem krill ou comem quem come krill: baleias, focas, pinguins, aves e peixes. Por isso, a pesca do krill tem limites definidos pela CCAMLR, e a captura anual fica abaixo de 1% da estimativa total.

O krill depende do gelo marinho: as algas que crescem sob o gelo alimentam as larvas no inverno. Menos gelo marinho tende a significar menos krill, o que afeta toda a cadeia.

Os pinguins

Só duas espécies de pinguim vivem de fato no continente e criam os filhotes em volta dele: o imperador e o de-adélia. O pinguim-imperador é o maior de todos, com cerca de 1,1 metro de altura e até perto de 40 quilos. O de-adélia, menor, faz ninhos de pedrinhas na rocha sem gelo da costa.

O imperador se reproduz sobre o gelo marinho preso à costa, no inverno. A fêmea põe um ovo em maio ou junho e volta ao mar; o macho choca o ovo sobre os pés por cerca de dois meses, sem comer, no frio e no escuro. Há cerca de 250 mil casais, todos na Antártida, segundo um censo por satélite de 2020.

Em 2025, um estudo do British Antarctic Survey com imagens de satélite de 16 colônias da Península e dos mares de Weddell e Bellingshausen, cerca de um terço da espécie, mostrou queda de 22% entre 2009 e 2024. A principal causa é a perda do gelo marinho onde os filhotes crescem.

Na Península e nas ilhas vivem também o pinguim-gentoo, de bico laranja, e o pinguim-de-barbicha, com uma faixa preta sob o queixo. O pinguim-rei, parecido com o imperador e menor, cria os filhotes nas ilhas subantárticas, como a Geórgia do Sul, e não no continente.

As focas

Seis espécies de foca vivem na Antártida e nas ilhas próximas. A foca-de-weddell é o mamífero que vive mais ao sul no planeta: passa o inverno sob o gelo marinho, mantém buracos de respiração raspando o gelo com os dentes e mergulha a cerca de 600 metros, às vezes por mais de uma hora.

A foca-caranguejeira, apesar do nome, não come caranguejo: come krill, que filtra com dentes cheios de pontas. É a foca mais numerosa do mundo. A foca-leopardo, solitária e com cabeça grande, caça pinguins, filhotes de outras focas, peixes e krill.

O elefante-marinho-do-sul é a maior foca do mundo: os machos passam de 4 metros e podem pesar várias toneladas. Mergulha a mais de 1.000 metros. Completam a lista a foca-de-ross, rara e pouco estudada, que vive no gelo denso, e o lobo-marinho-antártico, que quase sumiu com a caça no século 19 e se recuperou.

As baleias

Cerca de dez espécies de cetáceos vivem no oceano Austral ou passam por ele. A maioria das grandes baleias vem no verão para comer krill e volta no inverno para águas mais quentes, onde dá à luz.

A baleia-azul, o maior animal que já existiu, frequenta essas águas, assim como a baleia-fin, a jubarte, a minke e a baleia-franca-austral. A orca, que é um golfinho, tem grupos especializados em caçar focas, pinguins ou peixes.

No século 20, a caça industrial matou mais de 2 milhões de baleias no hemisfério sul, sobretudo no oceano Austral, e levou a baleia-azul antártica perto da extinção. Algumas espécies, como a jubarte, se recuperaram bem desde o fim da caça comercial; a baleia-azul segue muito abaixo do que era. A história da caça está em História e exploração.

As aves

Além dos pinguins, a Antártida e as ilhas em volta recebem dezenas de espécies de aves marinhas. A maioria vem no verão para se reproduzir e passa o resto do ano no mar.

O albatroz-errante tem a maior envergadura entre as aves vivas, de até cerca de 3,5 metros. Plana sobre o oceano Austral por milhares de quilômetros quase sem bater as asas, aproveitando o vento. Cria os filhotes nas ilhas subantárticas, como a Geórgia do Sul.

Os petréis são o grupo mais numeroso. O petrel-das-neves, todo branco, faz ninho em montanhas a centenas de quilômetros da costa, mais para dentro do continente do que qualquer outra ave. O mandrião-do-sul, ou skua, caça ovos e filhotes de pinguim e já foi visto até no Polo Sul.

Os peixes com anticongelante

A água em volta da Antártida fica perto de −1,9 °C, abaixo do ponto de congelamento da água doce, mas não congela por causa do sal. Nessa temperatura, o sangue da maioria dos peixes viraria gelo.

Cerca de nove em cada dez peixes do oceano Austral são nototenioides, um grupo que desenvolveu proteínas anticongelantes. Essas glicoproteínas grudam nos cristais de gelo que entram no corpo e os impedem de crescer.

Os peixes-do-gelo, uma família desse grupo, são os únicos vertebrados adultos sem hemoglobina: o sangue é quase transparente. Eles sobrevivem porque a água fria guarda muito oxigênio dissolvido e porque têm coração grande e muito sangue.

Plantas, musgos e líquens

Só duas plantas com flor são nativas da Antártida: o capim-antártico, Deschampsia antarctica, e a Colobanthus quitensis, uma pequena planta em almofada. As duas vivem na Península e nas ilhas próximas, quase sempre abaixo de 100 metros de altitude.

A vegetação é dominada por musgos, com cerca de 111 espécies, e líquens, com cerca de 400, segundo o herbário do British Antarctic Survey. Os líquens, união de um fungo com uma alga, crescem até em rochas do interior, a poucos graus do Polo Sul.

Tudo cresce muito devagar. Nos Vales Secos, alguns líquens aumentam cerca de 1 milímetro por século, e uma pegada num tapete de musgo pode ficar marcada por anos. Por isso, as regras do Tratado protegem essas áreas e pedem cuidado para não levar sementes de fora.

Os animais de terra e os micróbios

O maior animal que vive só em terra na Antártida é um mosquito sem asas, a Belgica antarctica, de 2 a 6 milímetros. É o único inseto que só existe na Antártida e vive na Península e nas Shetland do Sul. Pinguins e focas não contam, porque dependem do mar para comer.

No solo e nos musgos vivem ácaros, colêmbolos, tardígrados e vermes microscópicos, os nematoides. Muitos sobrevivem ao frio perdendo quase toda a água do corpo e voltando à vida quando o gelo derrete.

A vida microscópica vai mais longe. Nos Vales Secos, há bactérias e algas vivendo dentro de rochas, protegidas do vento. Nos lagos sob o gelo, como o Whillans, perfurado em 2013, foram encontrados micróbios que vivem no escuro, tirando energia de minerais, como se vê em O gelo da Antártida.

Perguntas frequentes

Que animais vivem na Antártida?

Quase todos dependem do mar: krill, peixes, pinguins, focas, baleias e aves marinhas. Em terra, os maiores animais nativos são insetos e ácaros de poucos milímetros.

O que é o krill?

Um pequeno crustáceo parecido com camarão, de até cerca de 6 centímetros, que vive em cardumes e é o principal alimento de baleias, focas, pinguins e aves do oceano Austral.

Quais pinguins vivem na Antártida?

No continente, o imperador e o de-adélia. Na Península e nas ilhas, também o gentoo e o de-barbicha. O pinguim-rei vive nas ilhas subantárticas, como a Geórgia do Sul.

Quantos pinguins-imperador existem?

Cerca de 250 mil casais reprodutores, segundo censo por satélite de 2020. Um estudo de 2025 registrou queda de 22% entre 2009 e 2024 em 16 colônias acompanhadas.

Como o pinguim-imperador cria os filhotes no inverno?

A fêmea põe um ovo em maio ou junho e vai ao mar comer; o macho choca o ovo sobre os pés por cerca de dois meses, sem comer, apertado em grupo com outros machos para se proteger do frio.

Quais focas vivem na Antártida?

Seis espécies: de-weddell, caranguejeira, leopardo, de-ross, elefante-marinho-do-sul e lobo-marinho-antártico.

Tem urso-polar na Antártida?

Não. Os ursos-polares vivem só no Ártico, no hemisfério norte. Na Antártida não há mamíferos terrestres.

Como os peixes da Antártida não congelam?

A maioria tem proteínas anticongelantes no sangue, que grudam nos cristais de gelo e os impedem de crescer, mesmo na água a −1,9 °C.

Existem plantas na Antártida?

Sim: duas plantas com flor, na Península e nas ilhas, cerca de 111 espécies de musgos e cerca de 400 de líquens.

Qual é o maior animal terrestre da Antártida?

Um mosquito sem asas, a Belgica antarctica, de 2 a 6 milímetros. É o único inseto que só existe na Antártida.

Qual ave tem a maior envergadura do mundo?

O albatroz-errante, com até cerca de 3,5 metros de ponta a ponta das asas. Vive sobre o oceano Austral e cria os filhotes nas ilhas subantárticas.