Imagens ilustrativas. As fotos deste guia são ilustrações feitas a partir do lugar real, não fotografias, e podem ter diferenças em relação a ele.

Antártida

A Antártida e o clima da Terra

Por que o continente gelado pesa no clima do planeta inteiro e o que os satélites, os navios e as estações mostram sobre o gelo, o oceano e o ozônio.

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Um regulador do clima do planeta

A Antártida perde para o espaço mais calor do que recebe do Sol. A neve branca reflete a maior parte da luz, o ar é muito seco e o planalto é alto, e por isso o continente funciona como o grande ponto de resfriamento do hemisfério sul. É também onde estão os recordes de frio do planeta, reunidos em Os extremos da Terra.

A diferença de temperatura entre a Antártida e os trópicos movimenta os ventos e as correntes, que levam calor do equador para as latitudes altas. Os ventos de oeste que circulam em volta do continente, sobre um oceano sem terras no caminho, fazem parte desse sistema.

Por isso, o que muda na Antártida não fica por lá: altera a circulação do oceano, o nível do mar em todas as costas do mundo e o tempo nos continentes do sul.

O gelo e o nível do mar

Segundo o mapeamento Bedmap3, coordenado pelo British Antarctic Survey e publicado em 2025, o manto de gelo da Antártida guarda cerca de 27 milhões de quilômetros cúbicos de gelo. Se derretesse por inteiro, elevaria o nível do mar em cerca de 58 metros. As projeções do IPCC para este século ficam muito abaixo disso, mas o número mostra o tamanho do estoque.

Só o gelo apoiado em terra eleva o mar quando derrete. O gelo marinho e as plataformas de gelo já flutuam e quase não mudam o nível, como um cubo de gelo num copo. Mas as plataformas seguram as geleiras que estão atrás delas: quando se desfazem, essas geleiras correm mais rápido para o oceano, como se vê em O gelo da Antártida.

A maior parte do gelo fica na Antártida Oriental, em boa parte sobre rocha acima do nível do mar. Na Antártida Ocidental, muito gelo se apoia em rocha abaixo do nível do mar, o que o deixa mais exposto à água mais quente do oceano.

A perda de gelo medida por satélite

Os satélites GRACE, da NASA com a agência espacial alemã, de 2002 a 2017, e GRACE Follow-On, desde 2018, medem pequenas variações da gravidade da Terra, que revelam quanto gelo o continente ganha ou perde. Segundo a NASA, entre 2002 e 2025 a Antártida perdeu em média cerca de 135 bilhões de toneladas de gelo por ano, o que elevou o nível do mar em cerca de 0,4 milímetro por ano.

A perda não é igual em todo o continente. A Antártida Ocidental e a Península perdem gelo, sobretudo nas geleiras Pine Island e Thwaites, que deságuam no mar de Amundsen. Partes da Antártida Oriental ganharam um pouco de massa com mais neve, mas não o bastante para compensar.

O IMBIE, um grupo internacional que compara medições de vários satélites, calculou em 2018 que a Antártida perdeu cerca de 2.700 bilhões de toneladas de gelo entre 1992 e 2017, o equivalente a 7,6 milímetros de alta no nível do mar, e que a perda anual triplicou a partir de 2012.

Os números mudam de um estudo para outro, conforme o método e o período, e de um ano para outro, conforme a neve que cai. O que as medições mostram em comum é a perda de gelo nas últimas décadas.

O gelo marinho e os recordes recentes

O gelo marinho em volta da Antártida cresce e encolhe todo ano. Pela média de 1981 a 2010 do NSIDC, o centro de dados de neve e gelo dos Estados Unidos, ele chega perto de 18,7 milhões de quilômetros quadrados em setembro e cai para cerca de 2,8 milhões em fevereiro.

Até 2015, a extensão se manteve estável e chegou a crescer um pouco, ao contrário do que acontecia no Ártico. A partir de 2016 caiu: o mínimo de 21 de fevereiro de 2023, de 1,79 milhão de quilômetros quadrados, foi o menor desde o começo das medições por satélite, em 1978, e o máximo de setembro de 2023 também foi o menor já registrado.

Os mínimos de 2022, 2024 e 2025 ficaram empatados como os segundos menores, perto de 1,98 milhão de quilômetros quadrados. Em 2026, o mínimo, em 26 de fevereiro, subiu para cerca de 2,58 milhões, ainda abaixo da média.

Os cientistas ainda discutem o peso de cada causa, como o oceano mais quente abaixo da superfície, os ventos e a variação natural. Com menos gelo marinho, o oceano absorve mais calor do Sol, e as plataformas de gelo e as colônias de pinguins-imperadores, que dependem do gelo para criar os filhotes, ficam mais expostas.

O buraco na camada de ozônio

A camada de ozônio, entre cerca de 15 e 35 quilômetros de altura, filtra parte da radiação ultravioleta do Sol. Em maio de 1985, Joe Farman, Brian Gardiner e Jonathan Shanklin, do British Antarctic Survey, publicaram as medições da estação Halley mostrando que, a cada primavera, o ozônio sobre a Antártida caía muito.

A causa é o cloro e o bromo liberados por produtos como os CFCs, usados em geladeiras, aerossóis e espumas. No inverno, o frio extremo forma nuvens na estratosfera polar; quando o Sol volta, em setembro e outubro, reações nessas nuvens destroem o ozônio. Por isso o buraco aparece na primavera do sul e se fecha no fim do ano.

O Protocolo de Montreal, de 16 de setembro de 1987, eliminou aos poucos esses produtos e é um dos raros tratados ratificados por todos os países.

Segundo a NASA e a NOAA, o buraco de 2025 foi o quinto menor desde 1992, com média de 18,71 milhões de quilômetros quadrados entre 7 de setembro e 13 de outubro, e começou a se desfazer quase três semanas antes do comum da última década. Pela avaliação da Organização Meteorológica Mundial, a camada sobre a Antártida deve voltar aos valores de 1980 por volta de 2066, se as regras atuais forem mantidas.

As correntes do oceano Austral

A Corrente Circumpolar Antártica gira de oeste para leste em volta do continente, sem nenhuma terra no caminho, e liga os oceanos Atlântico, Índico e Pacífico. Ela ajuda a manter a Antártida isolada das águas mais quentes do norte, como se vê em Geografia da Antártida.

Junto à costa, quando a água do mar congela, o sal fica na água que sobra, que se torna mais densa e afunda. Essa água fria e salgada, a Água de Fundo Antártica, espalha-se pelo fundo dos oceanos até o hemisfério norte e move uma circulação que leva séculos para dar a volta no planeta.

O oceano Austral também guarda calor e carbono. Estudos com medições e modelos indicam que o oceano ao sul do paralelo 30, com cerca de 30% da área dos oceanos, responde por cerca de 40% do gás carbônico de origem humana absorvido pelos oceanos e por cerca de três quartos do calor extra que eles absorvem.

Por isso, mudanças na quantidade de gelo e de água doce na costa antártica são acompanhadas de perto: elas podem alterar a formação de água de fundo e a força dessa circulação.

O que o passado mostra

A Antártida nem sempre foi gelada. Há cerca de 90 milhões de anos havia floresta perto do Polo Sul, e no continente já foram encontrados fósseis de dinossauros, de plantas e de marsupiais.

O gelo permanente começou a cobrir o continente há cerca de 34 milhões de anos, quando o gás carbônico do ar diminuiu e as passagens de mar entre a Antártida, a América do Sul e a Austrália se abriram, deixando a corrente circumpolar isolar o continente.

Os testemunhos de gelo mostram que, nos últimos 800 mil anos, o gás carbônico do ar variou entre cerca de 180 e 300 partes por milhão, acompanhando as eras glaciais. Segundo a NOAA, a média global de 2024 passou de 420 partes por milhão.

Como ler os números

Os números sobre a Antártida mudam a cada nova medição e variam bastante de um ano para outro. Um verão com pouco gelo marinho ou um ano com muita neve não mostram, sozinhos, uma tendência; o que conta são as séries de décadas.

As medições por satélite começaram em 1978 para o gelo marinho e no começo dos anos 1990 para a altura do manto de gelo. Para separar o que é variação natural do que vem do aquecimento causado pelo ser humano, os cientistas juntam essas séries com testemunhos de gelo, sedimentos do fundo do mar e modelos.

Os dados mais usados são públicos e vêm da NASA e da NOAA, do NSIDC, do British Antarctic Survey, da Organização Meteorológica Mundial e dos relatórios do IPCC, que reúnem a ciência publicada no mundo inteiro.

Perguntas frequentes

A Antártida está perdendo gelo?

Sim. Segundo a NASA, com dados dos satélites GRACE, a Antártida perdeu em média cerca de 135 bilhões de toneladas de gelo por ano entre 2002 e 2025, principalmente na Antártida Ocidental e na Península.

Quanto o gelo da Antártida contribui para a subida do mar?

Segundo o grupo internacional IMBIE, a perda de gelo da Antártida elevou o nível do mar em cerca de 7,6 milímetros entre 1992 e 2017. Com dados de 2002 a 2025, a NASA calcula cerca de 0,4 milímetro por ano.

O oceano Austral absorve gás carbônico?

Sim. Pelas estimativas de estudos com medições e modelos, a região ao sul do paralelo 30 fica com cerca de 40% do gás carbônico humano que entra nos oceanos e com cerca de três quartos do calor extra que eles guardam.

O buraco na camada de ozônio ainda existe?

Sim. Ele se forma todo ano sobre a Antártida entre agosto e dezembro, mas está diminuindo: segundo a NASA e a NOAA, o de 2025 foi o quinto menor desde 1992.

Quando o buraco na camada de ozônio vai se fechar?

Pela avaliação da Organização Meteorológica Mundial, a camada sobre a Antártida deve voltar aos valores de 1980 por volta de 2066, se as regras do Protocolo de Montreal continuarem sendo cumpridas.

Por que o buraco de ozônio fica sobre a Antártida?

Porque o frio extremo do inverno forma nuvens na estratosfera polar, onde o cloro e o bromo dos CFCs ficam ativos. Quando o Sol volta, na primavera, essas reações destroem o ozônio.

Quem descobriu o buraco na camada de ozônio?

Joe Farman, Brian Gardiner e Jonathan Shanklin, do British Antarctic Survey, com medições feitas na estação Halley. O estudo saiu em maio de 1985.

O que é a Água de Fundo Antártica?

É a água muito fria e salgada que se forma junto à costa antártica quando o mar congela. Ela afunda e se espalha pelo fundo dos oceanos, movendo uma circulação que dá a volta no planeta.

A Antártida já teve florestas?

Sim. Há cerca de 90 milhões de anos havia floresta perto do Polo Sul, e o gelo permanente só começou a se formar há cerca de 34 milhões de anos.

Como os satélites medem a perda de gelo da Antártida?

Os satélites GRACE e GRACE Follow-On medem pequenas variações da gravidade da Terra, que mudam conforme a massa de gelo. Outros satélites medem a altura da superfície e a velocidade das geleiras.