Imagens ilustrativas. As fotos deste guia são ilustrações feitas a partir do lugar real, não fotografias, e podem ter diferenças em relação a ele.

Antártida

Geografia da Antártida

As duas metades do continente, as montanhas que as separam, a Península que aponta para a América do Sul, os mares, as ilhas, os dois polos do sul e o oceano que gira em volta de tudo.

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Antártida Oriental e Ocidental

A Antártida tem duas partes muito diferentes. A Oriental, voltada para o oceano Índico e quase toda no hemisfério leste, ocupa cerca de dois terços do continente. É um grande planalto de gelo, com a maior parte acima de 2.000 metros e topos, chamados domos, acima de 3.000 e até de 4.000 metros.

Sob o gelo da Antártida Oriental fica uma base de rocha antiga e estável, boa parte dela acima do nível do mar. Ali estão os montes Gamburtsev, uma cordilheira do tamanho dos Alpes inteiramente coberta pelo gelo, descoberta por sondagens de radar e de sismos nos anos 1950.

A Ocidental, voltada para o Pacífico, é menor, mais baixa e formada por blocos de crosta e ilhas unidos pelo gelo. Grande parte da sua rocha fica abaixo do nível do mar, o que torna a calota dessa região mais sensível ao aquecimento do oceano, como se vê em O gelo da Antártida.

Os montes Transantárticos

Os montes Transantárticos cruzam o continente por cerca de 3.500 quilômetros, do cabo Adare, junto ao mar de Ross, até a Terra de Coats, junto ao mar de Weddell. Estão entre as cordilheiras mais longas do mundo e marcam a divisa entre a Antártida Oriental e a Ocidental.

A cordilheira se ergueu nos últimos 65 milhões de anos, com a abertura de uma grande fenda na crosta do lado ocidental. Seu ponto mais alto é o monte Kirkpatrick, com 4.528 metros. Por vales entre os picos, geleiras enormes, como a Beardmore e a Byrd, levam gelo do planalto oriental até a plataforma de Ross.

Em vários trechos, a rocha aparece nua. Nessas encostas, os geólogos encontram camadas com fósseis de florestas e de animais de quando a Antártida ficava mais longe do polo e tinha clima temperado, há mais de 200 milhões de anos.

O monte Vinson e os vulcões

O ponto mais alto da Antártida é o monte Vinson, no maciço Vinson, na cordilheira Sentinel dos montes Ellsworth, na Antártida Ocidental. Uma medição por GPS em 2004 fixou a altura em 4.892 metros; as estimativas antigas passavam de 5.100 metros.

O maciço só foi avistado em 1958 e escalado pela primeira vez em 1966. Por ser o ponto mais alto de um continente, faz parte da lista dos Sete Cumes, procurada por montanhistas.

A Antártida também tem vulcões. O Erebus, na ilha de Ross, com 3.794 metros, é o vulcão ativo mais ao sul do mundo e tem um lago de lava no interior da cratera. A ilha Deception, nas Shetland do Sul, é a borda de uma caldeira vulcânica alagada pelo mar, e teve erupções em 1967, 1969 e 1970.

A Península Antártica

A Península Antártica é um braço de montanhas de cerca de 1.300 quilômetros que sai da Antártida Ocidental em direção à América do Sul. É a parte do continente que mais avança para o norte, bem além do Círculo Polar Antártico.

Geologicamente, a Península continua a cordilheira dos Andes: as duas cadeias se ligam por baixo do mar, pelo arco submarino da Scotia. Por isso, as rochas da Península lembram as da Patagônia e da Terra do Fogo.

Por ficar mais ao norte e cercada de mar, a Península tem o clima menos frio do continente, mais faixas de rocha sem gelo e a maior parte da vida em terra. É também onde está a maioria das estações de pesquisa e por onde chega quase todo o turismo.

Os mares de Ross, Weddell e Bellingshausen

Dois grandes golfos entram no continente. O mar de Ross, ao sul da Nova Zelândia, termina na plataforma de gelo de Ross, a maior do mundo. O mar de Weddell, ao sul do Atlântico, termina nas plataformas de Ronne e Filchner. Os dois têm o nome de navegadores britânicos do século 19, James Clark Ross e James Weddell.

O mar de Weddell é conhecido pelo gelo marinho grosso que gira em sentido horário no seu interior. Foi esse gelo que prendeu e esmagou o navio Endurance, de Ernest Shackleton, em 1915, história contada em História e exploração.

A oeste da Península ficam o mar de Bellingshausen e, mais adiante, o mar de Amundsen, onde deságuam as geleiras Thwaites e Pine Island. Outros mares costeiros contornam a Antártida Oriental, como o de Davis e o de Dumont d'Urville.

As ilhas

As Shetland do Sul formam um arquipélago a cerca de 100 quilômetros da Península, separado dela pelo estreito de Bransfield. A maior ilha, a Rei George, reúne estações de vários países, entre elas a brasileira Comandante Ferraz, na baía do Almirantado.

Mais a leste, as Orcadas do Sul ficam no limite do mar de Weddell. Na ilha Laurie fica a estação argentina Orcadas, aberta em 1904 e a mais antiga da Antártida em funcionamento contínuo. Na ilha Signy, uma estação britânica registrou em 1982 a temperatura mais alta ao sul de 60° S: 19,8 °C.

Junto à costa há outras ilhas cobertas de gelo, como a de Ross, onde ficam McMurdo e a base neozelandesa Scott, e a Alexander, a maior ilha da Antártida, unida à Península pela plataforma de gelo George VI. As Geórgias do Sul e as Sandwich do Sul ficam ao norte de 60° S e não entram na área do Tratado da Antártida.

O Polo Sul geográfico e o magnético

O Polo Sul geográfico é o ponto onde o eixo de rotação da Terra cruza a superfície, a 90° de latitude sul. Fica no planalto, a 2.835 metros de altitude, sobre uma camada de gelo de cerca de 2.700 metros. Ali todas as direções apontam para o norte e todos os fusos horários se encontram.

O gelo do planalto se move cerca de 10 metros por ano. Por isso, a estação americana Amundsen-Scott recalcula a posição do polo todo ano e, em 1º de janeiro, muda o marcador de lugar. O marcador é desenhado pela equipe que passou o inverno anterior na estação.

O Polo Sul magnético, para onde aponta a ponta sul da bússola, é outro ponto e muda de lugar com o tempo. Segundo o Modelo Magnético Mundial de 2025, fica no mar, ao largo da Terra de Adélia, perto de 64° S e 135° L, a cerca de 2.900 quilômetros do polo geográfico, e se desloca cerca de 9 quilômetros por ano.

O oceano Austral e a Corrente Circumpolar

O oceano Austral é o mar que cerca a Antártida. A Organização Hidrográfica Internacional propôs em 2000 o limite de 60° de latitude sul, o mesmo do Tratado da Antártida; muitos cientistas preferem usar a Convergência Antártica, a faixa onde a água fria do sul encontra a mais quente do norte, entre 50° e 60° S.

Nele corre a Corrente Circumpolar Antártica, a única que dá a volta completa no planeta, de oeste para leste, empurrada pelos ventos de oeste. É a maior corrente oceânica da Terra: uma medição na Passagem de Drake entre 2007 e 2011 calculou 173 milhões de metros cúbicos de água por segundo, cerca de 30% acima da estimativa clássica.

A corrente funciona como uma barreira que isola as águas geladas em volta do continente e ajuda a manter a Antártida fria. Ela também liga o Atlântico, o Índico e o Pacífico, levando calor, nutrientes e gás carbônico de um para outro, papel tratado em A Antártida e o clima da Terra.

A Passagem de Drake, com cerca de 800 quilômetros entre o cabo Horn e as Shetland do Sul, é o trecho mais estreito da corrente. Ali o vento e as ondas costumam ser fortes, e a travessia de navio leva em geral dois dias.

A terra sob o gelo

Sem o gelo, a Antártida seria outra. O mapeamento Bedmap3, publicado em 2025 com mais de 82 milhões de medições, mostra montanhas, vales profundos, planícies e bacias abaixo do nível do mar escondidos sob a calota.

O ponto mais fundo de terra firme do planeta fica sob a geleira Denman, na Antártida Oriental: um vale cuja rocha chega a cerca de 3.500 metros abaixo do nível do mar, segundo o mapeamento BedMachine, de 2019.

Se o gelo sumisse, a rocha subiria aos poucos, aliviada do peso, e parte da Antártida Ocidental viraria um arquipélago. Esse peso hoje afunda a crosta em centenas de metros.

Perguntas frequentes

Quais são as partes da Antártida?

A Antártida Oriental, maior e mais alta, a Antártida Ocidental, menor e com muita rocha abaixo do nível do mar, e a Península Antártica, que sai da parte ocidental em direção à América do Sul.

O que separa a Antártida Oriental da Ocidental?

Os montes Transantárticos, uma cordilheira de cerca de 3.500 quilômetros entre o mar de Ross e o mar de Weddell.

Qual é a altura do monte Vinson?

4.892 metros, segundo a medição por GPS feita em 2004. É o ponto mais alto da Antártida.

Existe vulcão ativo na Antártida?

Sim. O mais conhecido é o Erebus, na ilha de Ross, com 3.794 metros e um lago de lava na cratera. A ilha Deception, nas Shetland do Sul, também é um vulcão ativo.

Qual a distância entre a Antártida e a América do Sul?

Cerca de 1.000 quilômetros entre o cabo Horn e a ponta da Península Antártica. A Passagem de Drake, entre o cabo Horn e as Shetland do Sul, tem cerca de 800 quilômetros.

O Polo Sul magnético é o mesmo que o geográfico?

Não. O geográfico fica no ponto fixo do eixo da Terra, no planalto. O magnético fica no mar, ao largo da Terra de Adélia, a cerca de 2.900 quilômetros, e se desloca alguns quilômetros por ano.

Por que o marcador do Polo Sul muda de lugar?

Porque o gelo onde ele está se move cerca de 10 metros por ano. Todo 1º de janeiro, a equipe da estação Amundsen-Scott coloca um novo marcador no ponto exato do polo.

O que é o oceano Austral?

É o oceano que cerca a Antártida. O limite mais usado é 60° de latitude sul; muitos cientistas usam a Convergência Antártica, onde a água fria do sul encontra a mais quente.

O que é a Corrente Circumpolar Antártica?

É a maior corrente oceânica da Terra e a única que dá a volta completa no planeta, de oeste para leste, em volta da Antártida.

Quais ilhas fazem parte da Antártida?

Entre as principais estão as Shetland do Sul, com a ilha Rei George, as Orcadas do Sul, a ilha de Ross e a ilha Alexander. As Geórgias do Sul ficam ao norte de 60° S, fora da área do Tratado.

Qual é o lugar mais fundo da Terra em terra firme?

Um vale sob a geleira Denman, na Antártida Oriental, cuja rocha chega a cerca de 3.500 metros abaixo do nível do mar, coberto pelo gelo.