Imagens ilustrativas. As fotos deste guia são ilustrações feitas a partir do lugar real, não fotografias, e podem ter diferenças em relação a ele.

Antártida

Turismo na Antártida

Quantas pessoas vão à Antártida, por onde chegam, em que meses e quais regras controlam os desembarques, a distância dos animais e a biossegurança.

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Quantas pessoas visitam

O turismo organizado na Antártida começou em 1966, com as viagens de navio de Lars-Eric Lindblad, e cresceu devagar até os anos 1990. Na temporada de 1991–1992, quando foi criada a associação dos operadores, a IAATO, cerca de 6.400 turistas foram à região.

Segundo a IAATO, a temporada de 2023–2024 teve o recorde de 122.072 visitantes, e a de 2024–2025, 118.491. A queda, de cerca de 5%, veio principalmente de um operador de cruzeiros que não fez viagens naquela temporada.

Em 2024–2025, 80.434 visitantes desembarcaram, 36.769 fizeram só o cruzeiro, sem descer em terra, e 938 foram ao interior do continente. Para comparar, a população das estações de pesquisa no verão fica em torno de 4.400 pessoas, como se vê em Ciência e bases.

Esses números contam só quem viaja com operadores da IAATO, que reúne quase todas as empresas do setor. Ficam de fora cientistas, funcionários de governos e boa parte dos veleiros particulares.

De onde saem os navios

Segundo a IAATO, 98% das viagens de navio vão à Península Antártica, a parte do continente mais perto da América do Sul. A maioria sai de Ushuaia, na Terra do Fogo argentina, o porto mais próximo da Península.

Outras saem de Punta Arenas, no Chile. De lá também há voos até a ilha Rei George, nas Shetland do Sul, onde os passageiros embarcam já na Antártida, sem atravessar de navio a Passagem de Drake.

Hobart, na Austrália, e Christchurch, na Nova Zelândia, são os pontos de partida das viagens ao mar de Ross e à Antártida Oriental, mais longas, menos frequentes e com menos lugares para desembarcar.

Para o interior, há voos a partir de Punta Arenas e da Cidade do Cabo, na África do Sul, até acampamentos sobre o gelo, de onde saem expedições de esqui e de montanhismo e voos até o Polo Sul.

A Passagem de Drake

Entre o cabo Horn e as ilhas Shetland do Sul fica a Passagem de Drake, com cerca de 800 quilômetros na parte mais estreita, entre o cabo Horn e a ilha Livingston. É a ligação mais curta entre a Antártida e outro continente.

Ali passam, sem nenhuma terra para frear, os ventos de oeste e a Corrente Circumpolar Antártica. O mar pode estar calmo ou muito agitado, com ondas de vários metros, e a travessia de navio costuma levar cerca de dois dias em cada sentido.

O nome vem do corsário inglês Francis Drake, cujo navio foi empurrado para o sul por uma tempestade em 1578, o que mostrou que havia mar aberto abaixo da América do Sul. Em espanhol, a passagem também é chamada de Mar de Hoces, pelo navegador Francisco de Hoces, que teria chegado ali em 1525.

A temporada

O turismo só acontece no verão do hemisfério sul, de novembro a março, quando o gelo marinho recua e os dias são longos. Fora desse período, o gelo e a escuridão fecham o acesso à maior parte da costa.

Em novembro, no começo da temporada, ainda há muita neve e gelo marinho perto da costa, e os pinguins costumam estar montando os ninhos. Em dezembro e janeiro, os dias são os mais longos e os filhotes costumam nascer. Fevereiro e março são os meses em que as baleias costumam ser mais vistas na Península, como se vê em A vida na Antártida.

As viagens ao mar de Ross e os voos ao interior têm uma janela ainda mais curta, em geral de dezembro a fevereiro.

Como o verão é a época do sol da meia-noite, nos meses da temporada a noite é curta ou não chega a escurecer, e a aurora austral, que pede céu escuro, raramente aparece. As estações e a luz de cada latitude estão em Luz e céu na Antártida e em As estações do ano.

As regras do Tratado

Para as Partes do Tratado da Antártida, o turismo é uma atividade como as outras: precisa de aviso prévio e de avaliação de impacto ambiental aprovada pela autoridade do país do operador, conforme o Protocolo de Madri, tratado em O Tratado da Antártida.

A Medida 15, aprovada em 2009, determina que navios com mais de 500 passageiros não desembarquem ninguém; que só um navio fique num ponto de desembarque por vez; que no máximo 100 passageiros estejam em terra ao mesmo tempo; e que haja pelo menos um guia para cada 20 visitantes. As regras da IAATO aplicam esses mesmos limites.

As Diretrizes Gerais para Visitantes, adotadas pelas Partes, e as diretrizes próprias dos lugares mais visitados dizem por onde se pode andar, quantas pessoas cabem e o que evitar. Segundo a IAATO, os 20 pontos de desembarque mais visitados da Península têm regras específicas.

Nada pode ser levado da Antártida, nem pedras, ossos, penas ou conchas, e nada pode ser deixado, nem comida. Também é proibido entrar sem autorização nas áreas especialmente protegidas e mexer nos sítios históricos.

A IAATO e a distância dos animais

A IAATO foi criada em 1991 por sete operadores de turismo, logo depois da assinatura do Protocolo de Madri, para manter as viagens seguras e com pouco impacto. Muitas das regras que ela criou foram depois adotadas pelas Partes do Tratado.

Em terra, a regra geral é ficar a pelo menos 5 metros dos animais, sem tocar nem alimentar, dar passagem aos pinguins nas trilhas que eles usam e se afastar se o animal mudar de comportamento. No mar, há distâncias e velocidades para barcos perto de baleias.

Desde que a gripe aviária H5N1 chegou à região, a IAATO passou a exigir também que ninguém se sente, se ajoelhe ou se deite perto dos animais e que nenhum equipamento seja posto no chão nas áreas onde eles vivem.

Biossegurança

O maior risco que um visitante leva é invisível: sementes, terra, insetos e micróbios presos na roupa, nas botas e nas mochilas. Uma espécie vinda de fora pode se estabelecer e mudar a vida de um lugar que evoluiu isolado por milhões de anos.

Por isso, antes de cada desembarque, as botas são lavadas e desinfetadas, e roupas, bolsos, velcros e mochilas são aspirados ou escovados ainda no navio. Na volta, as botas são lavadas de novo, para não levar nada de um ponto a outro.

Já foram encontradas na região espécies trazidas de fora, como a gramínea Poa annua, na ilha Rei George, e um mosquito sem asas da Geórgia do Sul, o Eretmoptera murphyi, na ilha Signy, nas Órcadas do Sul.

O impacto e como é controlado

Os impactos mais estudados são o pisoteio de musgos e líquens, que crescem poucos milímetros por ano, a perturbação dos animais na época de reprodução, a chegada de espécies de fora, a poluição dos navios e o risco de acidentes longe de qualquer socorro.

Para reduzir esses riscos, os operadores enviam relatórios de cada visita, os pontos de desembarque são distribuídos entre os navios para que não se encontrem, e os lugares mais frágeis ficam fechados ou têm limites menores. Desde 2011, uma regra da Organização Marítima Internacional proíbe usar e transportar óleo combustível pesado nas águas antárticas, e o Código Polar, em vigor desde 2017, faz exigências de segurança aos navios em águas polares.

Em 2024–2025, segundo a IAATO, Neko Harbour, na Península, foi o ponto com mais desembarques de navios, 220, seguido da baía das Baleeiras, na ilha Deception, com 194.

O controle se apoia nas regras de desembarque e nas diretrizes de cada lugar. A ideia de um limite geral de visitantes é discutida nas reuniões das Partes do Tratado.

Perguntas frequentes

Quantas pessoas visitam a Antártida por ano?

Segundo a IAATO, foram 118.491 visitantes na temporada de 2024–2025, depois do recorde de 122.072 em 2023–2024. Cerca de 80 mil desceram em terra; os outros fizeram só o cruzeiro.

De onde saem os navios para a Antártida?

A maioria sai de Ushuaia, na Argentina, rumo à Península Antártica. Também há saídas de Punta Arenas, no Chile, e, para o mar de Ross e a Antártida Oriental, de Hobart, na Austrália, e de Christchurch, na Nova Zelândia.

Quando é a temporada de turismo na Antártida?

De novembro a março, no verão do hemisfério sul. Fora desses meses, o gelo marinho e a escuridão fecham o acesso à maior parte da costa.

O que é a Passagem de Drake?

É o mar entre o cabo Horn e as ilhas Shetland do Sul, com cerca de 800 quilômetros na parte mais estreita. Os ventos de oeste e a corrente circumpolar passam por ali, e a travessia de navio costuma levar cerca de dois dias.

Quantos turistas podem desembarcar ao mesmo tempo na Antártida?

No máximo 100 pessoas em terra ao mesmo tempo num ponto de desembarque, com pelo menos um guia para cada 20, e só um navio por ponto, pela Medida 15 do Tratado e pelas regras da IAATO.

Navios grandes de cruzeiro podem desembarcar passageiros na Antártida?

Não. Navios com mais de 500 passageiros não podem desembarcar ninguém; os passageiros só veem a paisagem a bordo.

O que é a IAATO?

É a Associação Internacional dos Operadores de Turismo na Antártida, criada em 1991 por sete empresas. Define regras de visita e de biossegurança e publica os números de visitantes a cada temporada.

Qual distância é preciso manter dos animais na Antártida?

Pelas diretrizes do Tratado e da IAATO, em geral pelo menos 5 metros em terra, sem tocar nem alimentar os animais, e mais longe se o animal mudar de comportamento.

Precisa de visto para ir à Antártida?

A Antártida não emite visto, mas as viagens precisam ser autorizadas pelo país do operador, conforme o Tratado. Para passar por Argentina, Chile, Austrália, Nova Zelândia ou África do Sul valem as regras de entrada desses países. As exigências podem mudar: confirme antes de viajar.

Pode trazer uma pedra ou uma pena da Antártida de lembrança?

Não. É proibido retirar pedras, ossos, penas, conchas ou qualquer outra coisa, e também deixar qualquer coisa, inclusive comida.

Dá para ir à Antártida de avião?

Sim. Há voos de Punta Arenas até a ilha Rei George, onde os passageiros embarcam num navio, e voos de Punta Arenas e da Cidade do Cabo até acampamentos no interior do continente.