O dulce de leche se faz com leite e açúcar, e às vezes uma pitada de bicarbonato e baunilha. A mistura vai ao fogo baixo e é mexida por horas, até a água evaporar e o açúcar e o leite caramelizarem juntos. O ponto é dado pela espessura e pela cor: um creme liso, denso e marrom-claro, que escorre devagar da colher. Há o dulce de leche de uso familiar, mais macio, e o de confeitaria, mais firme, que não escorre no recheio de bolos e doces.
Na Argentina, ele está em quase toda a doçaria. Recheia alfajores e panquecas, cobre bolos e tortas, acompanha o flan e as frutas, entra nas facturas, os doces da padaria, e no sorvete. Pela manhã e à tarde, é passado no pão ou na torrada. Comer às colheradas, direto do pote, também é costume.
O programa de patrimônio alimentar criado pelo país em 2002 também o distingue: segundo o ministério argentino da Cultura, o doce de leite recebeu o selo junto com a empanada e o asado, como produto típico consumido em todas as províncias. Em 1998, uma entidade argentina do setor criou o dia mundial do doce de leite, celebrado em 11 de outubro.
A origem é discutida. A lenda mais contada na Argentina situa a invenção em 1829, numa estância de Cañuelas, na província de Buenos Aires: a criada de Juan Manuel de Rosas teria esquecido no fogo a lechada, leite quente com açúcar para o mate, enquanto ele se reunia com o general Juan Lavalle, e encontrado o creme pronto. Historiadores argentinos tratam o relato como lenda e citam menções mais antigas. Doces parecidos existem em muitos países, com outros nomes: manjar no Chile, arequipe na Colômbia e na Venezuela, cajeta no México, doce de leite no Brasil. Em 2003, o anúncio da declaração argentina provocou a reação do governo uruguaio, que pediu que o doce fosse visto como herança comum da região platina; um acordo entre Montevidéu e Buenos Aires o registrou como produto tradicional dos dois países.