O tacacá é servido numa cuia, a tigela feita do fruto da cuieira. Leva tucupi quente, o caldo amarelo extraído da mandioca brava, a goma de mandioca, folhas de jambu cozidas e camarão seco. O jambu provoca na boca uma leve dormência e um formigamento, que fazem parte da graça do prato.
A origem é indígena, ligada aos caldos de tucupi e mandioca da Amazônia. Em Belém, o tacacá virou um hábito diário: as tacacazeiras armam suas bancas nas esquinas e praças, e o movimento cresce no fim da tarde, mesmo no calor. Cada uma tem seu equilíbrio entre goma e tucupi, e muitas aprenderam o ofício com mães e avós.
Esse trabalho é reconhecido em vários níveis. O Pará incluiu o tacacá entre as comidas típicas do patrimônio cultural do estado e, em lei própria, declarou as tacacazeiras patrimônio imaterial. Belém fez o mesmo e criou o Dia da Tacacazeira, em 13 de setembro. O IPHAN aprovou o registro do Ofício de Tacacazeira na Região Norte como Patrimônio Cultural do Brasil.
O tucupi precisa ser cozido por muito tempo antes do uso, porque a mandioca brava é tóxica crua. O mesmo caldo aparece em outros pratos paraenses, como o pato no tucupi.
Come-se de pé ou sentado junto à banca, tomando o caldo direto da cuia e pegando o camarão e o jambu com um palito.