A festa
O que é La Tomatina
A Tomatina é a festa que deixou Buñol conhecida no mundo inteiro. Na última quarta-feira de agosto, dentro da semana das festas patronais da cidade, as ruas do centro viram um campo de batalha em que os participantes atiram tomates maduros uns nos outros durante cerca de uma hora, até o chão, as paredes e as pessoas ficarem vermelhos. Desde 2002 é declarada Festa de Interesse Turístico Internacional.
A origem é de 1945. Na última quarta-feira de agosto daquele ano, durante o desfile de gigantes e cabeçudos das festas de São Luís Beltrão, uma queda provocou uma briga na Plaza del Pueblo, e os rapazes pegaram tomates de uma banca de verduras ali perto para atirar. No ano seguinte, voltaram à praça com tomates trazidos de casa. A brincadeira foi proibida no começo dos anos 1950, com multas e detenções, até que em 1957 os moradores fizeram o Enterro do Tomate, um cortejo fúnebre de brincadeira, com caixão e marcha fúnebre. Pouco depois a festa foi autorizada e entrou no programa oficial. Uma reportagem da televisão espanhola em 1983 levou a Tomatina ao país inteiro e, com o tempo, ao exterior.
O dia começa cedo. Os participantes chegam a Buñol pela manhã para retirar a pulseira de acesso, e o centro já está cheio de música e gente de roupa velha, muitas vezes camiseta branca, que deixa as manchas mais visíveis. No meio da manhã acontece o palo jabón: um poste ensaboado com um presunto no alto, que os mais ágeis tentam escalar enquanto o público incentiva. Perto do fim da manhã, caminhões carregados de tomates entram pelas ruas, e um foguete marca o início da batalha. Os tomates, de uma variedade pouco própria para a mesa, são cultivados para a festa. Durante cerca de uma hora, todos atiram em todos, sem times nem alvos, até que um segundo foguete avisa que acabou.
Depois da batalha, a cidade inteira se lava. A prefeitura monta chuveiros públicos, e moradores abrem mangueiras na porta de casa para quem precisa tirar o tomate antes de voltar. Desde 2013, a prefeitura limita o número de participantes e exige ingresso; parte dos lugares fica para os moradores de Buñol, e há um espaço separado para participantes com deficiência. No sábado anterior, há uma Tomatina Infantil, para crianças de 4 a 14 anos, acompanhadas pelas famílias.
Buñol fica a cerca de 40 km de Valência, numa área de serras cortada pelo rio Buñol, com um centro antigo em volta do castelo de origem islâmica. O Molino de Galán, um antigo moinho junto ao posto de turismo, abriga o museu da Tomatina, com sala imersiva, painéis de fotos e área de realidade virtual. Nos arredores ficam trilhas e o paraje natural da Cueva del Turche. Para quem visita a região em agosto, a festa é uma forma diferente de conhecer o interior valenciano e uma tradição local que se mantém há décadas.
Como aproveitar
A maior parte dos visitantes chega de Valência no dia. O trem de cercanías, a linha C3, liga Valência a Buñol e lota cedo nesse dia; há também ônibus organizados que saem de Valência. Ir de carro não é recomendado: os acessos a Buñol fecham cedo pela manhã e o estacionamento fica longe do centro. Chegue no início da manhã para retirar a pulseira e entrar com calma. As normas da organização pedem: amassar o tomate com a mão antes de atirá-lo, não levar garrafas nem objetos duros, não rasgar nem atirar camisetas, manter distância dos caminhões, parar de atirar ao ouvir o segundo foguete e seguir sempre as instruções da equipe. Mochilas grandes, bolsas e bastões de selfie não são permitidos. Use roupa velha que possa ser descartada, tênis fechado com boa aderência e roupa de banho por baixo; óculos de natação ou de mergulho, sem vidro, protegem os olhos da acidez do tomate. Leve o celular e o documento numa capa à prova d'água presa ao corpo e uma muda de roupa para a volta. Na saída, o trem para Valência também enche; espere com calma ou fique um pouco mais na cidade.