A festa
O que é Semana Santa de Málaga
A Semana Santa de Málaga é uma das grandes festas religiosas da Andaluzia e recebeu em 1980 o título de festa de interesse turístico internacional. Durante toda a semana, de Ramos à Ressurreição, as confrarias da cidade, com raízes que chegam ao fim do século XV, saem em procissão pelas ruas do centro com as suas imagens do Cristo e de Nossa Senhora. O que distingue Málaga é o tamanho dos andores, aqui chamados tronos, e o jeito de carregá-los, à vista de todos, num ambiente ao mesmo tempo devoto e muito participativo, que os moradores costumam chamar de Semana de Paixão.
Os tronos malaguenhos estão entre os maiores da Espanha: plataformas de madeira entalhada e dourada, com prata, velas e flores, que levam as imagens bem acima das cabeças do público. Em vez de irem escondidos por baixo, como em Sevilha, os carregadores, os homens de trono, levam o peso no ombro, nas varas que saem dos lados da estrutura, e caminham em grupos de dezenas ou centenas, obedecendo ao som da campainha do mayordomo de trono. Em alguns momentos, o trono é erguido no alto dos braços, a pulso, enquanto a banda toca e o público aplaude.
Cada cortejo, em geral, tem dois tronos, um de Cristo e um da Virgem, acompanhados por penitentes de túnica e capuz, que levam velas e insígnias, e por pessoas que caminham descalças ou atrás do trono cumprindo promessas. Todas as confrarias passam pelo percurso oficial, com início na Plaza de la Constitución, onde fica a tribuna principal, desce a rua Marqués de Larios, contorna a Alameda Principal e a Plaza de la Marina e sobe a rua Molina Lario até a catedral, com arquibancadas montadas ao longo do caminho. Das sacadas, moradores jogam pétalas de rosa sobre as imagens, e o cheiro de incenso e de flores acompanha os cortejos. Uma tradição local é a escolta de corpos militares e civis a algumas imagens, com uniformes de gala.
A Quinta-feira Santa é o dia mais esperado. Pela manhã, a Legião desembarca no porto e segue em desfile até a igreja de Santo Domingo, onde está o Cristo da Boa Morte, conhecido como Cristo de Mena, que os legionários levam em translado pelas ruas cantando o seu hino. À noite, saem a imagem e o trono da confraria, entre as procissões mais concorridas da semana. Na Quarta-feira Santa, a confraria de Jesús El Rico liberta um preso, privilégio concedido pela coroa no século XVIII e renovado todos os anos com autorização do governo. Na Segunda-feira Santa sai o Cautivo, chamado de Senhor de Málaga, uma das devoções mais populares da cidade. Na manhã da Ressurreição, um único cortejo, o do Ressuscitado, junta delegações de todas as confrarias.
As procissões passam pelo centro histórico, entre a catedral, a Alcazaba e o Teatro Romano, e pelos bairros de origem das confrarias, como El Perchel e La Trinidad, do outro lado do rio Guadalmedina. Cada recolhimento, quando o trono volta à sua casa de irmandade, costuma reunir os vizinhos já tarde da noite. Para quem visita, é uma Semana Santa de grande escala, vivida ao ar livre, com o clima ameno da primavera da Costa do Sol.