A festa
O que é Tamborrada de San Sebastián
A Tamborrada é a grande festa de inverno de San Sebastián, Donostia em basco. Em 20 de janeiro, dia de São Sebastião, padroeiro da cidade, companhias de tambores e barris tomam as ruas durante um dia inteiro, sem pausa, tocando sempre as mesmas melodias, que qualquer morador sabe cantar. Para quem visita, é a chance de ver a cidade em festa fora da temporada de praia, num dia em que quase todos os bairros têm o seu desfile.
A tradição é antiga. Em 1597, durante uma epidemia de peste, a cidade fez o voto de levar todo ano em procissão a relíquia do santo no seu dia. A Tamborrada como se conhece tomou forma na década de 1830, como uma comparsa do carnaval que desfilava pelas ruas para festejar o padroeiro; o costume pegou e se separou do carnaval. Os uniformes seguem o corte militar dos batalhões guipuscoanos do tempo das guerras napoleônicas, e muitas companhias se vestem também de cozinheiros, uma lembrança das sociedades gastronômicas que mantêm a festa.
Cada companhia reúne tambores, que fazem o papel de soldados, e barris, tocados com baquetas por quem veste o traje de cozinheiro, além de banda de música, porta-bandeiras e cantineiras. O repertório é o de Raimundo Sarriegi, compositor donostiarra do século XIX, com a Marcha de San Sebastián à frente. As companhias pertencem a sociedades gastronômicas, clubes, escolas e associações de bairro, e cada uma tem o seu percurso, as suas paradas e a sua hora de sair.
O momento mais esperado é a izada. À meia-noite da virada de 19 para 20 de janeiro, na Plaza de la Constitución, no coração da Parte Vieja, o prefeito sobe a bandeira azul e branca da cidade enquanto a companhia da sociedade Gaztelubide e tamborileros de outras companhias tocam a marcha, e a praça inteira canta junto. Desde então, até a meia-noite seguinte, há tambores soando em algum ponto da cidade. Ao meio-dia, as crianças das escolas desfilam na Tamborrada Infantil, que sai das imediações da prefeitura, junto aos jardins de Alderdi Eder, diante da baía de La Concha.
O fim é tão solene quanto o começo. À meia-noite de 20 de janeiro, a companhia Unión Artesana arria a bandeira na mesma Plaza de la Constitución, e a festa só volta no ano seguinte. Entre um momento e outro, a Parte Vieja, com as suas ruas estreitas, os bares de pintxos e as sociedades gastronômicas, é um dos lugares para circular. A Tamborrada vale a viagem para quem gosta de festas de tradição local, com música ao vivo e uma cidade inteira na rua, num mês em que San Sebastián recebe menos visitantes.