O hāngī é o forno de terra tradicional dos maoris e a refeição que sai dele. Pedras aquecidas e água criam vapor numa cova rasa cavada no chão. A carne vai primeiro, depois os legumes, e tudo é coberto com folhas, esteiras de linho ou, mais recentemente, sacos e panos; por cima volta a terra, que prende o vapor. O cozimento leva algumas horas, conforme a quantidade. Antigamente iam peixe e kūmara, a batata-doce maori; hoje são comuns também porco, cordeiro, batata, abóbora e repolho.
O hāngī é feito em toda a Nova Zelândia, em especial quando é preciso alimentar muita gente, em festas, celebrações e encontros. Está ligado à manaakitanga, a hospitalidade maori: preparar e servir a comida é uma forma de receber.
Em Rotorua, no centro da Ilha Norte, o calor vem da própria terra. Há séculos os maoris da região cozinham o hāngī com o vapor geotérmico. Fotos de 1901 mostram os moradores da aldeia de Whakarewarewa cozinhando de duas formas: com a comida em cestos baixados por cordas numa fonte quente e num hāngī aquecido pelo calor do chão. Os dois métodos continuam em uso.
Whakarewarewa é o lar dos Tūhourangi Ngāti Wāhiao, cujos antepassados, do povo Te Arawa, ocuparam o vale em 1325, segundo a própria aldeia. Os moradores são donos da aldeia e a administram. Ali o hāngī não depende de pedras quentes: a carne e as raízes cozinham nas caixas de vapor geotérmico, e os legumes, os frutos do mar e o milho cozinham em Parekohuru, a maior fonte termal da aldeia.
Para o visitante, o hāngī de Rotorua costuma fazer parte de uma visita cultural, com reserva. As fontes e as caixas de vapor são lugares de uso da comunidade; siga as orientações dos guias. Há versões com carne e vegetarianas. Confirme antes de ir.