A festa
O que é Festa de Iemanjá
Todo 2 de fevereiro, o bairro do Rio Vermelho, na orla de Salvador, amanhece em festa para Iemanjá, a orixá das águas salgadas, mãe dos peixes e protetora dos pescadores. A celebração é organizada pela Colônia de Pescadores Z1, com apoio da prefeitura, e é considerada a maior festa dedicada a um orixá na Bahia. A data coincide com o dia de Nossa Senhora das Candeias, ou da Luz, no calendário católico.
A tradição no Rio Vermelho é contada a partir dos anos 1920, quando, numa fase de pouca pesca, os pescadores da colônia decidiram oferecer presentes à Mãe d'Água para pedir fartura. Antes disso, a entrega acontecia junto com a festa de Sant'Ana, no mesmo bairro. A homenagem foi ganhando público e se tornou uma das datas mais conhecidas do calendário festivo de Salvador; a festa é reconhecida como patrimônio imaterial da cidade.
A programação começa de madrugada, quando o presente principal, preparado num terreiro de candomblé, chega em cortejo à colônia de pescadores e é recebido com uma alvorada de fogos. Ao longo do dia, uma fila longa de pessoas, muitas vestidas de branco ou de azul, entrega flores, perfumes, espelhos, pentes e bilhetes com pedidos na Casa de Iemanjá, onde as oferendas são arrumadas em grandes balaios. Outras pessoas jogam flores diretamente no mar, na Praia da Paciência e nas pedras em volta.
No fim da tarde, os balaios são levados aos barcos dos pescadores, que saem em procissão marítima e entregam os presentes em alto-mar. Enquanto isso, o Rio Vermelho, bairro boêmio da cidade, enche-se de rodas de samba, afoxés, bares e festas, que seguem até a noite. Para quem está em Salvador no começo de fevereiro, a festa mostra a força das religiões de matriz africana na vida da cidade, às vésperas do Carnaval.