
Baccalà mantecato
Bacalhau seco ao ar, demolhado, cozido e batido com azeite até virar um creme branco e leve. É servido sobre polenta ou pão nos bacari de Veneza e liga a cidade à história do navegador que trouxe esse peixe da Noruega.
Festa popular · Veneza
O Carnaval de Veneza ocupa a cidade nas semanas antes da Quarta-feira de Cinzas, com máscaras e trajes de época pelas ruas, cortejos sobre a água, a Festa delle Marie e desfiles de fantasias na Praça São Marco.
Na foto: Veneza
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Carnaval de Veneza — Veneza
Cerca de duas semanas e meia antes da Quaresma, entre o fim de janeiro e o começo de março, conforme a data da Páscoa; o último dia é a terça-feira gorda.
janeiro/fevereiro/março
As datas mudam a cada ano: confirme a data deste ano antes de viajar.
A festa
Durante o Carnaval, Veneza volta a ser uma cidade de máscaras. Nas semanas que antecedem a Quarta-feira de Cinzas, moradores e visitantes circulam pelas pontes, pelos campos e pelas vielas com rostos cobertos e trajes inspirados no século XVIII, e a Praça São Marco (Piazza San Marco) vira palco de cortejos, desfiles de fantasias e cerimônias que lembram a antiga República de Veneza. Cada edição tem um tema escolhido pela direção artística, que inspira a programação oficial.
Os primeiros documentos sobre o carnaval veneziano são do fim do século XI. Nos séculos seguintes, a festa ganhou duração e fama: durante a Sereníssima, os palácios abriam salões para bailes, os teatros ficavam cheios e a máscara permitia que nobres e gente comum se misturassem sem ser reconhecidos. Depois da queda da República, no fim do século XVIII, a festa perdeu força e ficou quase dois séculos sem a forma de antes, até ser retomada pela cidade em 1979.
As máscaras tradicionais têm nomes e histórias próprios. A bauta, branca e de linhas simples, cobria o rosto inteiro e era usada com o tabarro, uma grande capa preta, e um chapéu de três pontas, deixando quem a vestia irreconhecível. A moretta, oval e de veludo preto, era usada por mulheres e ficava presa por um pequeno botão mordido entre os dentes, o que obrigava ao silêncio. Na gnaga, homens se vestiam de mulher e usavam máscara de gato, numa brincadeira que invertia os papéis por alguns dias. Hoje as máscaras de papel machê e couro dos ateliês da cidade convivem com fantasias criadas pelos próprios visitantes, e grupos inteiros viajam a Veneza só para desfilar com trajes feitos à mão.
A programação mistura tradição e espetáculo. Cortejos e regatas de barcos a remo enfeitados levam a festa aos canais, com trajetos anunciados a cada edição. A Festa delle Marie lembra um episódio de 973: segundo a tradição, doze jovens venezianas foram raptadas por piratas no dia em que receberiam a bênção nupcial em San Pietro di Castello e resgatadas pelo doge. Doze moças da região, em trajes de época, são apresentadas ao público em cortejo, e no último dia uma delas é proclamada a Maria do ano. O voo do anjo pertence à história da festa: uma pessoa suspensa por um cabo descia do Campanário de São Marco até a praça. O gesto remonta às exibições de acrobatas do século XVI; uma pomba de madeira, a Colombina, substituiu a pessoa durante parte dessa história, até a retomada do voo humano no começo do século XXI.
Nos dias gordos, a festa se espalha pela cidade. Na quinta-feira gorda, a praça revive o corte da cabeça do touro, rito que lembra uma vitória do doge sobre o patriarca de Aquileia em 1162: como tributo, o patriarca passou a enviar todo ano um touro e doze porcos, e a expressão italiana tagliare la testa al toro, que significa resolver uma questão de vez, vem desse costume. Há concursos de máscaras no palco da praça, bailes de máscara em palácios, espetáculos de commedia dell'arte em palcos de madeira na Piazzetta e música nos campos; em Mestre, na terra firme, há desfiles e artistas de rua. A terça-feira gorda encerra o carnaval, com a apresentação da Maria do ano e programação anunciada para a praça.
Os cortejos e as regatas de barcos a remo, com participantes fantasiados e trajetos divulgados na programação. A apresentação das doze Marias, em trajes de época, chegando à Praça São Marco em cortejo. O concurso de máscaras no palco da praça, onde fantasias feitas à mão desfilam diante do público e dos jurados. O corte da cabeça do touro e os espetáculos de commedia dell'arte da quinta-feira gorda. A terça-feira gorda, com a apresentação da Maria do ano e os últimos desfiles anunciados para a praça. Fora da praça: as vielas de Castello e Cannaregio no fim da tarde, quando grupos mascarados posam nas pontes e nos campos com menos gente; a Riva degli Schiavoni ao amanhecer, com a lagoa ao fundo; e uma visita a um ateliê de máscaras, para ver como são moldadas, pintadas e douradas à mão.
Os dois fins de semana do carnaval e os dias gordos, de quinta a terça-feira, concentram os eventos principais e a maior lotação; os dias úteis do meio são mais calmos e bons para fotografar as máscaras com tempo. Para assistir aos desfiles e às cerimônias na Praça São Marco, chegue cedo pela manhã: nos dias de maior movimento, a entrada na praça pode ser controlada, com percursos de mão única e fechamento temporário dos acessos quando lota. A cidade se percorre a pé e de vaporetto; as linhas que vão a San Marco e San Zaccaria ficam cheias, e às vezes andar é mais rápido. Um mapa offline ajuda nas vielas, onde é fácil se perder. Fantasiar-se faz parte da festa: há lojas e ateliês que vendem máscaras feitas à mão e alugam trajes de época, mas uma máscara simples já basta para entrar no clima. Os mascarados costumam aceitar fotos; peça com um gesto e respeite quem prefere seguir caminho. Leve roupa quente e impermeável, luvas e calçado sem salto e com boa aderência para as pontes e as pedras molhadas. Para escapar da multidão, reserve uma manhã para as ilhas de Murano e Burano, de vaporetto.
As frìtole, ou frittelle, são o doce do carnaval veneziano: bolinhos fritos redondos, na receita tradicional com uva-passa e pinhões, e hoje também recheados de creme, zabaione ou chocolate, vendidos nas confeitarias só nessa época do ano. Os galani, tiras finas de massa frita, crocantes e cobertas de açúcar de confeiteiro, aparecem em todas as vitrines, assim como as castagnole, pequenas bolinhas fritas passadas no açúcar. Nos bàcari, os bares tradicionais, peça cicchetti, petiscos servidos no balcão, como o baccalà mantecato sobre polenta ou pão, as sarde in saor, sardinhas com cebola agridoce, e almôndegas fritas, acompanhados de uma ombra, a pequena taça de vinho dos venezianos, ou de um spritz. Num dia frio, um chocolate quente espesso num café da praça completa o passeio.
Veneza tem hospedagem limitada no centro histórico, e o carnaval lota a cidade: garanta o quarto assim que definir as datas. Há opções em Mestre, na terra firme, ligada ao centro por trem e ônibus em poucos minutos. Os bailes de máscara em palácios exigem ingresso e traje de época e costumam esgotar cedo. Em fevereiro, os dias são frios e úmidos, e a maré alta pode alagar a Praça São Marco. Viajantes com passaporte brasileiro não precisam de visto para turismo curto no espaço Schengen, mas confira se a autorização eletrônica europeia (ETIAS) já está em vigor. As exigências podem mudar: confirme antes de viajar.
Na cidade
Sabores da Itália

Bacalhau seco ao ar, demolhado, cozido e batido com azeite até virar um creme branco e leve. É servido sobre polenta ou pão nos bacari de Veneza e liga a cidade à história do navegador que trouxe esse peixe da Noruega.

Sardinhas fritas cobertas de cebola cozida no vinagre, com passas e pinoli, deixadas a descansar até pegar o sabor agridoce. Nasceram como forma de conservar o peixe nos barcos e são o prato da Festa del Redentore, em Veneza.
Tire suas dúvidas
A data muda todo ano com a Páscoa. A festa dura cerca de duas semanas e meia, costuma cair em fevereiro e se encerra na véspera das Cinzas, a terça gorda.
É uma cerimônia histórica em que uma pessoa em traje de época descia, suspensa por um cabo, do Campanário de São Marco até a praça. A tradição foi associada à vencedora das Marias do ano anterior. Confira a programação da edição escolhida, pois os eventos mudam.
É uma tradição que recorda o resgate de doze noivas levadas por piratas no século X. Hoje, doze jovens selecionadas entre moradoras da área de Veneza participam de cortejos com vestidos históricos, e a vencedora recebe o título no último dia.
Não, mas usar ao menos uma máscara ajuda a entrar no clima. Lojas da cidade alugam roupas históricas, e os bailes em palácios costumam exigir fantasia completa.
Três modelos são clássicos: a bauta, que esconde o rosto todo e acompanha o tabarro; a moretta, feminina e muda; e a gnaga, com feições de gato, usada em brincadeiras de troca de papéis.