Caminho de Santiago

Europa · 9 caminhos: Caminho de Santiago

Os caminhos de peregrinação até Santiago de Compostela, num mapa só: de onde sai cada um, quantos dias leva e para quem é.

Imagens ilustrativas. As fotos deste guia são ilustrações feitas a partir do lugar real, não fotografias, e podem ter diferenças em relação a ele.

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Caminho de Santiago

O Caminho de Santiago é o conjunto de rotas de peregrinação que levam a Santiago de Compostela, na Galícia, no noroeste da Espanha. Segundo a tradição, a catedral da cidade guarda o túmulo do apóstolo Tiago, descoberto no século IX. Desde a Idade Média, peregrinos de toda a Europa caminham até lá, e os caminhos foram marcados por igrejas, pontes, mosteiros e hospitais de peregrinos. Os caminhos franceses e os do norte da Espanha são reconhecidos pela UNESCO como Patrimônio Mundial, e o Caminho de Santiago foi o primeiro Itinerário Cultural Europeu.

Hoje o Caminho é feito por motivos diferentes: fé, reflexão, desafio físico, turismo ou a vontade de passar alguns dias caminhando. A maioria faz a pé, em etapas de 20 a 30 km por dia, dormindo em albergues e pousadas pelo caminho. Também é possível fazer de bicicleta ou a cavalo.

A chegada é na praça do Obradoiro, diante da fachada barroca da catedral. Muitos peregrinos assistem à missa do peregrino e visitam o túmulo do apóstolo, na cripta, e a imagem de Santiago, no altar-mor.

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Os caminhos

Escolha o seu caminho

Caminho de Santiago

Como escolher o caminho

Cada caminho tem um ponto de partida, uma extensão e um jeito. Os mais procurados por quem vai pela primeira vez são o Francês, a partir de Sarria, e o Português, a partir de Tui ou do Porto.

  • Caminho Francês: de Saint-Jean-Pied-de-Port (França), cerca de 770 km, 5 a 6 semanas (de Sarria, 5 dias). Para a primeira vez, com muita estrutura e companhia.
  • Caminho de Le Puy (Via Podiensis): de Le Puy-en-Velay, na França, até Saint-Jean-Pied-de-Port, onde começa o Caminho Francês, cerca de 740 km, umas 4 a 5 semanas. Para quem quer começar na França, pelo Aubrac e pelo vale do Lot.
  • Caminho Português central: de Lisboa (cerca de 617 km, umas 4 semanas), do Porto (242 km, 11 dias) ou de Tui (118 km, 6 dias). Mais curto e menos cheio que o Francês.
  • Caminho Português da Costa: do Porto, cerca de 273 km, 12 a 13 dias (de Baiona, 5 a 6). Perto do mar, em etapas planas.
  • Caminho do Norte: de Irún, no País Basco, cerca de 820 km, 5 a 6 semanas. Para quem já fez outro caminho e gosta de costa e de subidas.
  • Caminho Primitivo: de Oviedo, nas Astúrias, cerca de 320 km, umas 2 semanas (de Lugo, 5 dias). Para quem tem bom preparo e gosta de montanha.
  • Via de la Plata: de Sevilha, pela antiga estrada romana do oeste da Espanha, por Mérida, Cáceres, Salamanca e Zamora, seguindo pelo Caminho Sanabrês até Ourense e Santiago, cerca de 1.000 km, umas 6 a 7 semanas. Para quem já tem experiência e aguenta etapas longas e o calor do sul.
  • Caminho Inglês: de Ferrol (cerca de 117 km, 5 a 6 dias) ou de A Coruña (75 km). Para quem tem uma semana e quer um caminho tranquilo.
  • Caminho de Finisterre e Muxía: sai de Santiago até o mar, cerca de 89 km até Fisterra e mais 29 até Muxía, em 3 a 5 dias. Para quem chegou a Santiago e quer terminar diante do Atlântico (não dá Compostela).

As distâncias mudam um pouco conforme a fonte e as variantes de cada caminho.

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A credencial do peregrino

A credencial é o passaporte do peregrino: um caderno onde se juntam os carimbos (os sellos) pegos ao longo do caminho, em albergues, igrejas, cafés, prefeituras e hotéis, sempre com data. Ela identifica quem está fazendo o caminho, dá acesso aos albergues de peregrinos e serve de prova para pedir a Compostela.

Onde tirar:

  • na Oficina do Peregrino, em Santiago, ou com a credencial digital, em aplicativo da própria Oficina;
  • em associações e confrarias de amigos do Caminho de Santiago autorizadas pela catedral, na Espanha e em outros países;
  • no Brasil, em associações de amigos do Caminho de Santiago de várias cidades, que costumam entregar ou enviar a credencial e orientar quem vai fazer o caminho pela primeira vez. A lista das associações autorizadas fica no site da Oficina do Peregrino: confirme antes se a associação emite a credencial aceita pela catedral;
  • nos pontos de partida mais procurados, como a Sé do Porto, o escritório de acolhida de Saint-Jean-Pied-de-Port e muitos albergues e igrejas do caminho.

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A Compostela

A Compostela é o certificado da peregrinação, emitido pela Oficina do Peregrino, ligada à Catedral de Santiago. Segundo a Oficina, para recebê-la é preciso:

  • fazer pelo menos os últimos 100 km a pé ou a cavalo, ou os últimos 200 km de bicicleta, seguidos, num caminho reconhecido, terminando na catedral;
  • mostrar a credencial carimbada, com pelo menos dois carimbos por dia nos últimos 100 km;
  • fazer o caminho por motivo religioso ou espiritual, ou ao menos com esse espírito de busca.

Dá para fazer o caminho em partes, em viagens diferentes, desde que em ordem e voltando ao ponto onde parou. Quem não se encaixa nas regras, ou prefere, pode pedir o certificado de distância, que registra os quilômetros feitos. A Compostela é retirada na Oficina do Peregrino, perto da catedral, com senha em fila; nas épocas cheias, pode não sair no mesmo dia. Confirme os requisitos e o horário no site da Oficina antes de sair.

Alguns caminhos têm certificados próprios, como a Fisterrana e a Muxiana, de quem chega a pé a Fisterra e a Muxía depois de Santiago.

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Albergues e transporte de mochila

O Caminho tem uma rede de albergues de peregrinos:

  • albergues públicos (municipais, da Xunta da Galícia ou paroquiais): costumam aceitar só quem tem credencial, por ordem de chegada, sem reserva e por uma noite, em quartos coletivos com beliches;
  • albergues privados: aceitam reserva e costumam ter quartos menores e mais serviços;
  • pousadas, pensões e hotéis: para quem prefere quarto privado, também com reserva.

Muitas empresas e alguns albergues oferecem transporte de mochila entre as etapas: o peregrino anda só com uma mochila pequena e encontra a bagagem no próximo lugar onde vai dormir. Os albergues públicos nem sempre recebem bagagem enviada: confira antes.

O caminho é marcado com setas amarelas, pintadas em muros, postes e pedras, e com a concha de vieira, o símbolo do peregrino. Na Galícia, marcos de pedra mostram os quilômetros que faltam até Santiago.

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Preparação

  • Calçado: tênis de trilha ou bota leve, já usados por algumas semanas antes da viagem. Calçado novo é a causa mais comum de bolhas. Leve também chinelo ou sandália para o fim do dia.
  • Mochila: de 30 a 40 litros, com peso de até cerca de 10% do seu peso. Roupas que secam rápido, capa de chuva, agasalho, saco de dormir leve ou lençol de saco para os albergues, toalha de secagem rápida e itens de higiene em tamanho pequeno.
  • Treino: caminhadas longas, de 15 a 20 km, nas semanas anteriores, de preferência com a mochila e com subidas. Quem nunca caminhou vários dias seguidos pode começar por um trecho curto, como os últimos 100 km.
  • No caminho: comece cedo, ande no seu ritmo, faça pausas, beba água e cuide dos pés a cada parada. Etapas longas podem ser divididas.

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Quando ir

Maio, junho, setembro e começo de outubro costumam ser as melhores épocas: temperatura boa para andar, dias longos e albergues abertos. Julho e agosto são os meses mais cheios, com calor no interior da Espanha e de Portugal e lotação nos últimos 100 km. De novembro a março faz frio, chove muito na Galícia e no norte, pode nevar nos trechos altos, e muitos albergues fecham, mas o caminho fica tranquilo.

Anos Santos Jacobeus: quando o dia do apóstolo, 25 de julho, cai num domingo, é Ano Santo Jacobeu. Nesses anos, a Porta Santa da catedral fica aberta, há celebrações especiais, e o número de peregrinos aumenta. Quem planeja o caminho para um Ano Santo deve reservar com mais antecedência, principalmente para o verão.

Perguntas frequentes

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Preciso ser católico ou religioso para fazer o Caminho?

Não. O Caminho é feito por pessoas de todas as crenças e sem religião. A Compostela pede que a motivação seja religiosa ou espiritual, ou ao menos de busca; para quem não se identifica com isso, há o certificado de distância.

Qual caminho fazer na primeira vez?

O Caminho Francês, a partir de Sarria, e o Caminho Português, a partir de Tui ou do Porto, são os mais escolhidos por quem faz pela primeira vez: têm boa estrutura, muitos albergues e sinalização clara.

Quantos dias de viagem preciso?

Para os últimos 100 km, uma semana de caminhada, mais os dias de viagem do Brasil e um dia em Santiago: cerca de 10 a 12 dias no total. O caminho inteiro pede de 4 a 6 semanas, conforme a rota.

Que documentos preciso?

Passaporte válido. Brasileiros não precisam de visto para turismo de curta duração na Espanha e em Portugal, mas as regras de entrada no espaço Schengen podem mudar e incluir autorização prévia de viagem: confira antes de comprar a passagem. O seguro-viagem com cobertura de saúde costuma ser pedido na imigração; leve o comprovante.

Preciso falar espanhol?

Ajuda, mas não é obrigatório. No caminho, muita gente fala um pouco de inglês, e o português é bem entendido na Galícia, onde o galego é parecido com a nossa língua.

Dá para fazer o Caminho sozinho?

Sim, e muita gente faz. Nos caminhos mais procurados, é comum encontrar os mesmos peregrinos todos os dias e caminhar em grupo por alguns trechos.

Tenho idade ou condição física para isso?

O Caminho é feito por pessoas de todas as idades. O importante é treinar antes, escolher um caminho e um ritmo adequados e, se tiver alguma condição de saúde, conversar com o seu médico antes da viagem.

Posso fazer o Caminho em partes?

Sim. Muitos fazem um trecho por ano, voltando ao ponto onde pararam e usando a mesma credencial. Para a Compostela, contam os últimos 100 km, feitos em ordem e terminando na catedral.

Posso fazer de bicicleta?

Sim. Para a Compostela, é preciso pedalar pelo menos os últimos 200 km. Alguns trechos a pé têm variantes próprias para bicicleta, e os albergues públicos podem dar prioridade a quem está a pé.

Como funciona o celular e a internet no caminho?

A maior parte dos caminhos tem sinal de celular, e muitos albergues e cafés têm wi-fi. Um chip europeu ou um plano internacional ajuda a reservar albergues e a usar mapas no caminho.

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