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Flandres Ocidental
A única província belga à beira-mar: 67 km de praia e dunas, Bruges com seus canais e, no interior, os campos onde se lutou a Primeira Guerra.
Na foto: Westhoekreservaat, De Panne
Imagens ilustrativas. As fotos deste guia são ilustrações feitas a partir do lugar real, não fotografias, e podem ter diferenças em relação a ele.
A província
Conheça Flandres Ocidental
Flandres Ocidental é o canto da Bélgica que encosta no Mar do Norte. A costa inteira fica aqui, de De Panne, junto à fronteira com a França, até Knokke-Heist, quase nos Países Baixos. O Kusttram, o bonde da costa, percorre esse litoral de ponta a ponta e passa por Nieuwpoort, Ostende, De Haan e Blankenberge. Atrás da praia vêm os pôlderes, terras planas tiradas do mar, cortadas por canais e fileiras de álamos.
Bruges é a capital e o cartão de visita. O centro medieval, com o Belfort, o Markt e os canais, é Patrimônio Mundial da Unesco desde 2000. A cidade enriqueceu com o comércio de tecidos na Idade Média, quando o braço de mar do Zwin chegava até as suas portas. Quando o canal assoreou, o porto morreu e o centro ficou parado no tempo. Damme, a poucos quilômetros, era o antigo porto avançado de Bruges e hoje é uma vila à beira de um canal ladeado de árvores.
O sudoeste da província é o Westhoek, e ali a história é outra. Entre 1914 e 1918 a linha de frente da Primeira Guerra cortou esses campos. Ypres foi destruída e reconstruída pedra por pedra; na Porta de Menin, o Last Post soa todas as noites desde 1928, com pausa só durante a ocupação alemã na Segunda Guerra. Em volta ficam Zonnebeke, com o cemitério de Tyne Cot, Poperinge, que era a retaguarda dos soldados britânicos, e Diksmuide, onde o front belga parou atrás das águas do IJzer.
Fala-se neerlandês, num dialeto do oeste, o West-Vlaams, que até outros flamengos têm dificuldade de entender. Na mesa, o mar manda: croquetes de camarão cinzento, mexilhões com fritas e peixe do dia nos portos de Nieuwpoort e Ostende. No interior entram o stoverij, ensopado de carne com cerveja, e as cervejas das abadias e dos campos de lúpulo de Poperinge. Em Oostduinkerke, pescadores ainda apanham camarão a cavalo, tradição reconhecida pela Unesco.
Destinos
2 destinos em Flandres Ocidental


Ypres e o front
Cidades
12 cidades de Flandres Ocidental no guia

Bruges
Capital da Flandres Ocidental, Bruges fala flamengo, o holandês falado na Bélgica, e recebe bem quem se comunica em inglês. O centro medieval, Patrimônio Mundial da Unesco, se percorre a pé: a Markt com o Belfort, o Burg com a Heilig-Bloedbasiliek, a Onze-Lieve-Vrouwekerk com a Madona de Michelangelo, o Begijnhof, o lago Minnewater e os canais, os Reien, vistos de barco.

Blankenberge
Blankenberge vivia da pesca desde o século 11, mas só ganhou porto em 1871, e a frota pesqueira acabou em 1945. O primeiro cassino, o Kursaal, é de 1859, e o trem chegou em 1863. O píer de ferro de 1893 e 1894 foi o primeiro de 350 m no continente europeu. Hoje a marina, reconstruída em 1955 depois da Segunda Guerra, recebe cerca de mil barcos.

Damme
Vila a cerca de 7 quilômetros de Bruges, onde se fala flamengo, o holandês falado na Bélgica. Foi o porto de Bruges no século 13, até o Zwin assorear. Guarda a prefeitura gótica de 1464 na praça, a igreja de Nossa Senhora com torre de 206 degraus e o moinho Schellemolen, e se alcança pela margem do canal Damse Vaart. É conhecida como vila dos livros, com feira no segundo domingo de cada mês.

De Haan
Balneário entre Ostende e Blankenberge, De Haan reúne a vila à beira-mar e as aldeias de Wenduine, Klemskerke, Vlissegem e Harendijk. A orla manteve as construções baixas, e muitas casas da Belle Époque continuam à vista. Albert Einstein viveu na vila Savoyarde logo depois de deixar a Alemanha nazista. O campo de golfe nas dunas foi fundado pelo rei Leopoldo II em 1903.

De Panne
Município mais a oeste da Bélgica, na divisa com a França, De Panne inclui a vila de Adinkerke. Na Primeira Guerra, a família real belga morou ali, na pequena faixa do país que a Alemanha não ocupou. Em 1898, os irmãos Dumont construíram na cidade os primeiros carros a vela feitos para esporte. O bairro Dumont, do século 19, mistura casas art nouveau, art déco e modernistas, e o parque de dunas Kykhill tem um mirante sobre o mar.

Diksmuide
Cidade às margens do rio IJzer que ficou na linha de frente belga de 1914 a 1918. Atacada a partir de 16 de outubro de 1914, foi reduzida a escombros e reconstruída nos anos 1920. Na margem do rio, a IJzertoren, de 84 metros, abriga um museu sobre a guerra e a paz. A Dodengang preserva a única trincheira belga da guerra. No mesmo município, o cemitério alemão de Vladslo guarda as estátuas dos Pais Enlutados, de Käthe Kollwitz.

Knokke-Heist
Município mais a nordeste do litoral belga, na divisa com a Holanda, Knokke-Heist reúne Heist, Duinbergen, Knokke, Westkapelle e Ramskapelle, além da área de Het Zoute. Knokke começou como lugar de férias de moradores de Bruxelas no século 19, e pintores como James Ensor e Alfred Verwee retrataram a paisagem. Hoje tem mais de 40 galerias de arte. A reserva do Zwin, criada em 1952, é zona úmida de importância internacional desde 1986.

Nieuwpoort
Cidade na foz do rio IJzer, com o centro histórico um pouco afastado do mar e o balneário Nieuwpoort-Bad junto à praia. No fim de outubro de 1914, nas comportas da Ganzepoot, o exército belga alagou a planície do IJzer, e a água parou o avanço alemão: o front ficou ali por quatro anos. Ao lado das comportas, o monumento ao rei Albert I, de 1938, abriga o centro Westfront Nieuwpoort.

Ostende
Maior cidade do litoral belga, Ostende fala flamengo, o holandês falado na Bélgica. Virou estação balneária no século 19, com os reis Leopoldo I e Leopoldo II. O calçadão Zeedijk acompanha a praia, a igreja neogótica de São Pedro e São Paulo marca o centro, e o Fort Napoleon fica junto ao porto. A oeste, Raversyde guarda bunkers da Muralha do Atlântico, e o Kusttram leva às outras praias da costa.

Poperinge
Cidade a oeste de Ypres que ficou fora da ocupação alemã durante a Primeira Guerra. Por estar logo atrás do front, abrigou tropas britânicas em descanso e hospitais de campanha. A Talbot House, clube aberto a soldados de qualquer patente em 1915, hoje é museu e casa de hóspedes. Na saída para o sul, Lijssenthoek é o maior cemitério de hospital da Commonwealth. A região concentra grande parte do cultivo de lúpulo da Bélgica.

Ypres
Ypres é uma cidade pequena do oeste da Flandres Ocidental, a poucos quilômetros da França. Fala-se flamengo, o holandês falado na Bélgica, e o inglês circula com facilidade. Destruída na Primeira Guerra Mundial e reconstruída depois, tem na Grote Markt a Lakenhalle com o Belfort e o In Flanders Fields Museum, a Sint-Maartenskathedraal logo atrás e a Menenpoort, palco do Last Post. Em volta ficam o Essex Farm Cemetery, o cemitério alemão de Langemark, o Passchendaele Museum e o Tyne Cot Cemetery.

Zonnebeke
Município rural a leste de Ypres, no centro do antigo saliente. Inclui a vila de Passendale, que deu nome à batalha de 1917, de 31 de julho a 10 de novembro, quando as tropas da Commonwealth avançaram cerca de 8 km sob chuva e lama. A guerra destruiu a área inteira. Hoje, no parque do castelo, fica o Memorial Museum Passchendaele 1917, e na colina de Passendale está o cemitério de Tyne Cot, o maior da Commonwealth no mundo.
Rotas
Rotas que passam por Flandres Ocidental

Costa belga pelo Kusttram
Entre De Panne, junto à França, e Knokke-Heist, junto à Holanda, um bonde acompanha toda a costa da Bélgica, com dunas, balneários e o mar do Norte ao lado.

Flanders Fields: o front da Primeira Guerra, de Ypres a Nieuwpoort
Cemitérios, museus e trincheiras da Primeira Guerra no oeste de Flandres, do saliente de Ypres até a foz do rio IJzer, perto do mar do Norte.

Cidades de arte de Flandres
Seis cidades históricas ligadas por trem: Bruxelas, Lovaina, Mechelen, Antuérpia, Gante e Bruges, com pintura flamenga, catedrais e centros medievais a menos de uma hora uma da outra.
Quando ir
O clima é marítimo: verões amenos, invernos frios e úmidos, vento quase o ano todo. A temporada de praia vai de junho a agosto, quando o mar costuma ficar perto de 18 a 19 °C; julho e agosto lotam a costa. Abril, maio e setembro são bons para Bruges e para o Westhoek, com menos gente. Novembro costuma ser o mês mais chuvoso. Em Bruges, a Procissão do Santo Sangue sai no dia da Ascensão, em maio ou junho. Em Ypres, o Kattenstoet, desfile dos gatos, acontece a cada três anos, em maio. Em dezembro e janeiro escurece no meio da tarde.
Como chegar
A porta de entrada é o Brussels Airport, em Zaventem, perto de Bruxelas. A ligação com o Brasil costuma ser com conexão em outra cidade. Confirme antes de comprar. Do aeroporto e das estações de Bruxelas saem trens da SNCB para Bruges e Ostende; muitos param em Gante no caminho. Na costa há estações em De Panne (Adinkerke), Ostende, Blankenberge e Knokke, e de lá o Kusttram liga os balneários. Para Ypres e Poperinge, o trem vem por Kortrijk. De carro, a E40 liga Bruxelas a Gante, Bruges e a costa e segue até a França; a E403 desce de Bruges a Kortrijk.
Tire suas dúvidas
Perguntas frequentes sobre Flandres Ocidental
Dá para conhecer Bruges num bate-volta de Bruxelas?
Dá. O trem direto leva cerca de uma hora e o centro se percorre a pé. Mas a cidade esvazia no fim da tarde, quando os grupos de excursão vão embora, e muita gente acha que vale dormir uma noite lá para ver os canais com calma.
Preciso de carro para visitar os campos da Primeira Guerra?
Ajuda bastante. Ypres e Poperinge têm estação de trem, mas Tyne Cot, Passchendaele e os cemitérios menores ficam espalhados pelo campo. Sem carro, as opções são bicicleta, táxi ou passeio guiado saindo de Ypres. Os circuitos sinalizados de bicicleta são planos.
O mar da costa belga é bom para banho?
É frio para o padrão brasileiro: mesmo em agosto a água costuma ficar perto de 19 °C. A praia é larga, de areia fina, com postos de salva-vidas no verão. O belga vai muito à costa para caminhar no calçadão, andar de bicicleta e comer frutos do mar, mais do que para nadar.
Que língua se fala na província?
Neerlandês, com o sotaque do oeste de Flandres. Nas cidades turísticas quase todo mundo fala inglês, e muitos entendem francês. Placas e cardápios vêm em neerlandês; em Bruges e na costa costumam ter tradução.
O que é o Last Post em Ypres?
É o toque de clarim em memória dos soldados da Comunidade Britânica mortos no saliente de Ypres. Acontece todas as noites, debaixo do arco da Porta de Menin, e reúne moradores e visitantes em silêncio. Confirme o horário antes de ir e chegue cedo no verão.
Onde comer os croquetes de camarão?
Em qualquer cidade da costa e em Bruges. São feitos com o camarão cinzento do Mar do Norte, pequeno e de sabor forte. Em Ostende e Nieuwpoort há bancas e restaurantes junto ao porto de pesca.
