Centro de Cascais e Boca do Inferno
Sai de Estação de Cascais a pé cerca de 3 horas manhã ou tarde fácil
Cascais foi vila de pescadores e passou a ser destino de veraneio da corte quando o rei D. Luís I a escolheu como residência de verão, no fim do século XIX. O passeio começa na estação de trem (comboio), ao lado das praias da Conceição e da Rainha, e segue pelas ruas de pedra do centro histórico, com casas baixas, calçada portuguesa em ondas, lojas e restaurantes. Mais adiante ficam a Cidadela de Cascais, uma fortaleza dos séculos XVI e XVII que guarda o Museu da Cidadela, e a Marina de Cascais. Seguindo pela beira-mar para oeste, a cerca de 2 km do centro, chega-se à Boca do Inferno: uma fenda nas rochas da falésia onde o mar entra e estoura. Em dias calmos, o espetáculo é pequeno; com mar agitado, as ondas sobem alto. Há mirantes cercados, e o caminho a pé pela costa leva cerca de 20 minutos a partir do centro. Cascais tem ritmo de cidade de praia, e é uma boa base para quem quer dormir perto do mar e ir a Sintra de ônibus.
Passa por: centro histórico de Cascais, Praia da Conceição, Cidadela de Cascais, Marina de Cascais, Boca do Inferno.
Inclui: Passeio a pé pelo centro e pela costa; museus com ingresso pago à parte.
Dica: Na Boca do Inferno, fique nos mirantes cercados e longe das pedras molhadas. O caminho pela costa até lá é o começo da ciclovia do Guincho, então dá para emendar os dois passeios.
Melhor época: Ano todo; maio a outubro para as praias do centro.
Ciclovia Cascais–Guincho e Praia do Guincho
Sai de Centro de Cascais bicicleta, a pé ou ônibus cerca de 3 a 4 horas (ida e volta) manhã fácil a moderada (vento contra)
A ciclovia que liga Cascais à Praia do Guincho tem cerca de 9 km. Começa junto ao Farol de Santa Marta, perto da marina, e segue sempre pela beira do mar, passando pela Boca do Inferno e por uma costa de rochas baixas, com a Serra de Sintra ao fundo. É plana na maior parte, mas o vento costuma soprar forte de frente na ida ou na volta. No fim, a Praia do Guincho é uma praia longa, aberta ao Atlântico e cercada de dunas, já dentro do Parque Natural de Sintra-Cascais. Por causa do vento e das ondas, é ponto conhecido de surfe, windsurfe e kitesurfe, e o mar costuma ser agitado para banho. Ao lado fica a Duna da Cresmina, com um passadiço de madeira de cerca de 1 km que atravessa as dunas e explica a vegetação. Quem não pedala pode fazer trechos a pé ou ir de ônibus até o Guincho e voltar pela ciclovia.
Passa por: Ciclovia Cascais–Guincho, Farol de Santa Marta, Boca do Inferno, Praia do Guincho, Duna da Cresmina.
Inclui: Uso da ciclovia aberto. Aluguel de bicicleta, quando usado, é pago à parte; a câmara de Cascais tem um sistema de bicicletas com pontos no centro (confira as regras).
Dica: Comece pela manhã, quando o vento costuma ser mais fraco. Leve água, protetor solar e um casaco corta-vento. No Guincho, respeite as bandeiras dos salva-vidas e entre no mar só em área vigiada.
Melhor época: Maio a outubro; no inverno o vento e o frio pesam mais.
Convento dos Capuchos
Sai de Sintra carro, táxi ou ônibus cerca de 1 hora e meia manhã ou tarde fácil (portas baixas)
O Convento dos Capuchos fica isolado no meio da mata da Serra de Sintra, no caminho entre Sintra e o Cabo da Roca. Foi fundado em 1560 por D. Álvaro de Castro e entregue a frades franciscanos, que viviam numa pobreza extrema. O convento é pequeno e foi construído entre os rochedos, com celas minúsculas, portas tão baixas que é preciso abaixar a cabeça e corredores estreitos. A cortiça foi usada para revestir portas, tetos e paredes, e por isso ele também é chamado de Convento da Cortiça. A visita percorre o pátio de entrada, a capela, o refeitório, a cozinha e o Corredor das Celas, e termina na mata em volta, com rochas cobertas de musgo. É o oposto dos palácios da serra: silêncio, pedra e madeira. Faz parte da Paisagem Cultural de Sintra, Patrimônio Mundial da Unesco.
Passa por: Convento dos Capuchos, Corredor das Celas, Serra de Sintra.
Inclui: Ingresso pago à parte; confira a tabela atual.
Dica: O ônibus até lá costuma ter poucas partidas: de carro ou táxi o passeio fica mais simples, e combina bem com o Cabo da Roca no mesmo dia. Pessoas altas e quem tem problema de joelho devem ir com calma nas passagens baixas.
Melhor época: Ano todo; na primavera e no outono há menos movimento e a mata fica mais verde.
Praia da Ursa, Praia da Adraga e Azenhas do Mar
Sai de Sintra carro (o ônibus atende só parte do trajeto) dia inteiro manhã e tarde difícil na Ursa; fácil nas demais
A costa de Sintra ao norte do Cabo da Roca é de falésias altas e praias pequenas entre rochas. A Praia da Ursa é a mais fotografada: o nome vem de uma formação rochosa com a forma de urso. O acesso é por uma trilha de terra íngreme que desce a falésia, a partir de uma área de estacionamento perto do Cabo da Roca; a subida da volta cansa. A Praia da Adraga, mais ao norte, tem acesso por estrada até a areia, arcos de pedra e grutas, e é procurada para ver o pôr do sol. Seguindo para o norte, passando por Colares, chega-se a Azenhas do Mar, uma aldeia de casas brancas sobre a falésia, com um mirante de onde se vê a aldeia inteira. Embaixo há uma piscina oceânica que se enche com a maré; o banho depende das condições do mar e da autorização local. Entre Ursa e Adraga há também uma trilha costeira para quem gosta de caminhar. O mar dessa costa é aberto e frio, mesmo no verão.
Passa por: Praia da Ursa, Praia da Adraga, Azenhas do Mar, Colares.
Inclui: Acesso às praias aberto. Estacionamento e restaurantes são pagos à parte.
Dica: Não desça à Praia da Ursa de chinelo nem com chuva: o caminho é de terra solta e muito inclinado. Entre no mar só em área vigiada e com bandeira verde. Em Azenhas do Mar, o mirante fica na estrada, antes da descida para a aldeia.
Melhor época: Junho a setembro para a praia; primavera e outono para caminhar e fotografar.
Paredão Cascais–Estoril e Casino Estoril
Sai de Estação de Cascais ou do Estoril a pé cerca de 2 horas tarde fácil
O paredão é um calçadão à beira-mar com cerca de 2,7 km, entre a Praia da Conceição, em Cascais, e a Praia da Azarujinha, no Estoril. De um lado ficam praias pequenas de areia, do outro, restaurantes, bares e prédios de frente para o mar. É o lugar onde os moradores caminham e correm, e a forma mais simples de ir de Cascais ao Estoril sem pegar transporte. No meio do caminho fica a Praia do Tamariz, em frente ao Jardim do Casino, uma alameda de palmeiras que sobe até o Casino Estoril. O Estoril foi refúgio de famílias de reis exilados e ponto de encontro de diplomatas e espiões durante a Segunda Guerra Mundial, e o casino é ligado à criação do primeiro romance de James Bond, de Ian Fleming. Hoje o casino funciona com salas de jogo, espetáculos e restaurantes, e o jardim em frente é aberto à visita. O trem (comboio) de Lisboa para em várias estações ao longo do paredão, então dá para ir num sentido a pé e voltar de trem.
Passa por: Paredão de Cascais–Estoril, Praia da Conceição, Praia da Azarujinha, Praia do Tamariz, Estoril, Casino Estoril, Jardim do Casino.
Inclui: Passeio a pé, aberto. Entrada no casino sujeita às regras da casa (documento e idade mínima).
Dica: Faça o trajeto no fim da tarde, com o sol mais baixo; no meio do dia não há sombra. A entrada no casino exige documento com foto e tem idade mínima: leve o passaporte se quiser entrar.
Melhor época: Ano todo; maio a outubro para combinar com praia.
Casa das Histórias Paula Rego e museus de Cascais
Sai de Centro de Cascais a pé cerca de 2 a 3 horas manhã ou tarde fácil
Cascais reúne vários museus a poucos minutos a pé uns dos outros, no chamado Bairro dos Museus. O mais conhecido é a Casa das Histórias Paula Rego, dedicada à obra da pintora portuguesa Paula Rego, com pinturas e desenhos do acervo e exposições temporárias. O prédio, do arquiteto Eduardo Souto de Moura, tem duas torres em forma de pirâmide de cor avermelhada e já vale a visita por fora. Perto ficam o Museu Condes de Castro Guimarães, uma casa de veraneio do fim do século XIX junto a uma pequena enseada, com biblioteca, mobília e azulejos; o Farol Museu de Santa Marta, um farol ainda em uso com um pequeno museu sobre os faróis da costa portuguesa; e o Parque Marechal Carmona, um jardim com sombra, lago e áreas para crianças. A Cidadela de Cascais completa o circuito. É uma boa escolha para dia de chuva ou para quem quer descansar das praias.
Passa por: Casa das Histórias Paula Rego, Bairro dos Museus, Museu Condes de Castro Guimarães, Farol Museu de Santa Marta, Parque Marechal Carmona, Cidadela de Cascais.
Inclui: Ingressos dos museus pagos à parte, por museu; confira a tabela atual e os dias de fechamento.
Dica: Confira os dias de fechamento semanal antes de ir, porque mudam de museu para museu. A Casa das Histórias Paula Rego fica no começo do caminho para a ciclovia do Guincho e para a Boca do Inferno.
Melhor época: Ano todo; bom programa para os meses de chuva, de novembro a fevereiro.
Trilha da Serra de Sintra: Peninha e Cruz Alta
Sai de Sintra a pé (acesso de carro ou táxi até o início) cerca de 4 a 6 horas dia inteiro moderada a difícil (subidas longas)
A Serra de Sintra é cortada por trilhas em mata de pinheiros, carvalhos e fetos, com blocos de granito e pontos de vista sobre o litoral. Dois cumes atraem quem gosta de caminhar. A Cruz Alta, a 529 metros, é o ponto mais alto da serra e fica dentro do Parque da Pena, com vista para o Palácio da Pena, o Castelo dos Mouros e, em dias limpos, Lisboa e o mar. O Santuário da Peninha, a 488 metros, fica mais a oeste, perto do Convento dos Capuchos: uma antiga ermida e um palacete do começo do século XX num afloramento de rocha, de onde se vê a costa do Cabo Espichel à Ericeira em dias muito claros. As trilhas que ligam esses pontos têm subidas longas e trechos de pedra solta, e a sinalização nem sempre é contínua. Uma opção mais curta é o Percurso de Santa Maria, com cerca de 1,8 km, do centro de Sintra até o Castelo dos Mouros. Para trilhas mais longas, vá com mapa ou aplicativo de trilhas baixado no celular, ou com um guia local.
Passa por: Serra de Sintra, Santuário da Peninha, Cruz Alta, Parque da Pena, Percurso de Santa Maria.
Inclui: Caminhada pelas trilhas abertas. A Cruz Alta fica dentro do Parque da Pena, com ingresso pago à parte; confira a tabela atual.
Dica: Leve água, lanche, casaco e calçado de trilha: o tempo na serra muda rápido e a neblina pode chegar à tarde. Avise alguém do seu trajeto e baixe o mapa antes, porque o sinal de celular falha em alguns vales.
Melhor época: Março a junho e setembro a novembro; no verão, comece cedo.
Elétrico de Sintra e Praia das Maçãs
Sai de Sintra (Estefânea) bonde histórico cerca de meio dia tarde fácil
O Elétrico de Sintra é um bonde (elétrico) histórico que liga a parte nova de Sintra à Praia das Maçãs, num percurso de cerca de 11 km que leva por volta de 45 minutos. Os carros são antigos, abertos ou fechados, e o caminho passa por quintas, vinhas e mata, com a serra de um lado e a planície de Colares do outro. A Praia das Maçãs é uma praia de acesso fácil, com restaurantes, bares e piscina de água do mar, e costuma ser procurada por famílias. Bem perto fica a Praia Grande, de areal amplo e ondas, conhecida pelas competições de surfe e bodyboard. A região de Colares é conhecida pelas vinhas plantadas na areia, uma paisagem que se vê da janela do bonde. O passeio é uma pausa entre os palácios e uma forma diferente de chegar ao mar a partir de Sintra.
Passa por: Elétrico de Sintra, Praia das Maçãs, Colares, Praia Grande.
Inclui: Bilhete do bonde pago à parte, comprado a bordo; confira a tabela atual.
Dica: O bonde não circula o ano inteiro e tem poucas partidas por dia: confira o calendário e os horários antes de ir. Se perder a volta, há ônibus entre a Praia das Maçãs e Sintra.
Melhor época: A temporada costuma ir da primavera ao outono; para praia, de junho a setembro.
Palácio Nacional de Queluz
Sai de Lisboa (Rossio) ou Sintra trem da Linha de Sintra e caminhada cerca de 2 a 3 horas manhã ou tarde fácil
O Palácio Nacional de Queluz fica entre Lisboa e Sintra, na Linha de Sintra, e é um programa à parte do circuito da serra. Era uma casa de campo que o infante D. Pedro, futuro D. Pedro III, transformou em palácio de verão a partir de 1747; ele se casou com a sobrinha, que viria a ser a rainha D. Maria I, e o palácio virou residência da família real. Para o brasileiro, há uma ligação direta: D. Pedro IV de Portugal, o D. Pedro I do Brasil, nasceu e morreu no Quarto D. Quixote, decorado com cenas do livro de Cervantes. A visita passa pela Sala do Trono, com espelhos, dourados e lustres, e por salas de estilo rococó. Os jardins, em estilo francês, têm estátuas, lagos e o Canal de Azulejos, um canal revestido de painéis azuis por onde a família real passeava de barco. Fica a cerca de 15 minutos de trem de Lisboa, e combina com a ida ou a volta de Sintra.
Passa por: Palácio Nacional de Queluz, Jardins de Queluz, Sala do Trono, Quarto D. Quixote, Canal de Azulejos.
Inclui: Ingresso do palácio e dos jardins pago à parte; confira a tabela atual.
Dica: Desça na estação de Queluz-Belas e siga a pé até o palácio, seguindo as placas. É uma boa parada no caminho de volta de Sintra para Lisboa, ou para um dia de chuva, quando a serra fica encoberta.
Melhor época: Ano todo; abril a junho para os jardins.
Palácio Nacional de Mafra
Sai de Lisboa ou Sintra ônibus ou carro dia inteiro com o trajeto manhã e tarde fácil
Mafra fica a cerca de 40 km ao norte de Lisboa e vale como bate-volta para quem tem mais dias na região. O Palácio Nacional de Mafra foi mandado construir por D. João V no século XVIII e reúne, num só edifício, palácio, basílica e convento, numa área de cerca de 40 mil metros quadrados, onde viveram cerca de 300 frades franciscanos. A basílica, no centro da fachada, tem seis órgãos históricos, e as torres guardam dois carrilhões com 98 sinos no total. A biblioteca, com quase 36 mil volumes, é a sala mais famosa do conjunto. A visita percorre longos corredores, os aposentos da família real e a enfermaria dos frades. O conjunto é Patrimônio Mundial da Unesco. Ao lado fica a Tapada Nacional de Mafra, antiga área de caça da corte, com trilhas e animais. A cidade de Mafra fica perto da Ericeira, vila de pescadores e de surfe, e os dois lugares costumam ser combinados no mesmo dia.
Passa por: Palácio Nacional de Mafra, Basílica de Mafra, Biblioteca do Palácio de Mafra, Tapada Nacional de Mafra.
Inclui: Ingresso do palácio pago à parte; a Tapada tem ingresso próprio. Confira a tabela atual e os dias de fechamento.
Dica: O palácio fecha um dia por semana, e a biblioteca e a basílica têm horários próprios: confira antes. De carro, o trajeto a partir de Lisboa é pela A8 e depois pela A21. De transporte público, há ônibus a partir de Lisboa (Campo Grande) e de Sintra (Portela de Sintra).
Melhor época: Ano todo; boa opção para dias de chuva.