Parque Nacional Chiloé: Cucao, setor Chanquín e trilhas
Sai de Castro Carro, micro-ônibus a partir do terminal municipal de Castro ou excursão cerca de 8 horas dia inteiro fácil a moderada
O Parque Nacional Chiloé protege mais de 42 mil hectares na costa oeste da ilha, voltada para o Pacífico. A entrada mais usada é a de Cucao, a cerca de 58 km de Castro: são 24 km pela Ruta 5 até o cruzamento de Notuco e mais 34 km de estrada asfaltada ao longo do Lago Huillinco e do Lago Cucao, pouco mais de uma hora de carro. A portaria fica no setor Chanquín, junto ao rio de mesmo nome, com centro de visitantes da CONAF, área de camping e um pequeno museu. Daí saem trilhas curtas e bem marcadas. O Sendero El Tepual tem cerca de 2,7 km, quase todo em passarelas de madeira sobre um bosque alagado de tepú, árvore de troncos avermelhados e retorcidos; leva de 40 minutos a 1 hora. O Sendero Dunas de Cucao, com cerca de 1 km, atravessa o bosque até as dunas e a praia aberta do Pacífico. O Sendero Los Quiles, de cerca de 500 m, tem mirante para o Lago Cucao. Para quem quer andar mais, a trilha Huentemó–Cole Cole tem cerca de 12 km, leva cerca de 7 horas e chega à praia de Cole Cole. O bosque é selva valdiviana, com arrayán, tepa e alerce. Entre os animais estão o pudú, um dos menores cervos do mundo, e a raposa-de-darwin (zorro chilote), ameaçada de extinção; não há garantia de vê-los. Comunidades huilliches vivem na área e participam do turismo junto com a CONAF.
Passa por: Parque Nacional Chiloé, Cucao, Chanquín, Lago Cucao, Sendero El Tepual, Sendero Dunas de Cucao.
Inclui: Há ingresso da CONAF, comprado na portaria. Transporte, guia e refeições são pagos à parte. Confira a tabela atual.
Dica: Leve capa de chuva, calçado impermeável e lanche: em Cucao há poucos lugares para comer. Combine o dia com o Muelle de las Almas, alguns quilômetros ao sul.
Melhor época: O ano todo. De dezembro a março há mais dias secos; de maio a agosto chove muito e as trilhas ficam enlameadas.
Muelle de las Almas, perto de Cucao
Sai de Cucao Carro ou excursão até o estacionamento e trilha a pé cerca de 2 horas e meia manhã ou tarde moderada (subidas e descidas)
O Muelle de las Almas (Cais das Almas) é uma escultura de madeira em forma de cais que termina no ar, no alto de um penhasco sobre o Pacífico, perto de Punta Pirulil, ao sul de Cucao. É obra do escultor chileno Marcelo Orellana Rivera e foi inspirado numa lenda da mitologia chilota: as almas dos mortos iam até esses penhascos e chamavam o Tempilkawe, um balseiro que as levava para o outro lado do mar, pago com pedras polidas da praia. O acesso é por terras de moradores locais. De Cucao, a estrada segue para o sul; os últimos quilômetros são de terra, com subida forte. No alto há estacionamentos e um posto onde se paga a taxa de entrada. Do estacionamento até o cais são cerca de 2 km de trilha, uns 45 minutos em cada sentido, com subidas e descidas e trechos de barro. A trilha é única, sem desvios. No caminho e no cais não há estrutura: leve água e lanche. Com vento forte, a visita no penhasco pede atenção.
Passa por: Muelle de las Almas, Cucao, Punta Pirulil.
Inclui: Há taxa de entrada cobrada pelos moradores e estacionamento pago à parte. Confira a tabela atual e se o acesso está aberto antes de ir.
Dica: Vá de carro com calma no trecho de terra, principalmente depois de chuva. Use botas ou tênis de trilha.
Melhor época: De dezembro a março, com mais dias secos. No inverno a trilha fica com muito barro.
Pinguineras de Puñihuil: barco ao redor dos Islotes de Puñihuil
Sai de Ancud Carro ou excursão até a Caleta Puñihuil e barco local cerca de 4 horas manhã ou tarde fácil
O Monumento Natural Islotes de Puñihuil protege ilhotas a poucas centenas de metros da costa noroeste de Chiloé, a cerca de 27 km de Ancud. É um dos raros lugares do mundo onde duas espécies de pinguim fazem ninho juntas: o pinguim-de-humboldt e o pinguim-de-magalhães. Também vivem ali outras aves marinhas e o chungungo, a lontra-marinha da costa chilena. Não se desembarca nas ilhotas: a visita é feita em barcos da comunidade da Caleta Puñihuil, que saem da praia a cada 15 ou 20 minutos e dão a volta nas ilhotas em cerca de 30 minutos. O caminho de Ancud vai pela estrada W-20 até Pumillahue e, depois, por um desvio de cerca de 3 km até a praia de Puñihuil. A temporada de pinguins em Puñihuil costuma ir de outubro a março: as aves chegam em outubro para a reprodução, os filhotes nascem por volta de janeiro e a colônia volta ao mar no fim de março. A quantidade de aves varia ao longo da temporada, e a saída dos barcos depende do mar.
Passa por: Monumento Natural Islotes de Puñihuil, Caleta Puñihuil, Pumillahue, Ancud.
Inclui: Nas excursões, em geral: transporte a partir de Ancud, Castro ou Puerto Montt e guia. O passeio de barco costuma ser pago à parte, na praia. Confira a tabela atual.
Dica: Leve agasalho impermeável: o vento no mar é frio mesmo no verão. Os guias pedem distância das ilhotas; não use drone. Fora da temporada, os barcos podem não sair.
Melhor época: A temporada de pinguins costuma ir de outubro a março. Confirme na CONAF e com os barqueiros.
Ancud: Fuerte San Antonio e Museo Regional de Ancud
Sai de Centro de Ancud A pé, por conta própria cerca de 3 horas manhã ou tarde fácil
Ancud, no norte da Isla Grande de Chiloé, foi o último reduto da Espanha na América do Sul: só se rendeu às tropas chilenas em janeiro de 1826. O passeio começa no Museo Regional de Ancud, ao lado da Plaza de Armas de Ancud. A exposição permanente conta cerca de 6 mil anos de história do arquipélago, com mais de 2 mil peças de arqueologia, cestaria e tecidos, e uma maquete da escuna Ancud, que tomou posse do Estreito de Magalhães em 1843. No terreno do museu está o esqueleto de uma baleia-azul que encalhou perto de Ancud em 2004. Dali, uma caminhada curta leva ao Fuerte San Antonio, sobre a baía. No lugar havia a bateria de Tecque, do fim do século 18, refortificada e rebatizada de San Antonio em 1820. Sobram muralhas baixas e sete canhões virados para a baía de Ancud, com vista para o mar e para a cidade. Em Ancud funciona também um museu dedicado às igrejas de madeira de Chiloé.
Passa por: Ancud, Fuerte San Antonio, Museo Regional de Ancud, Plaza de Armas de Ancud.
Inclui: Caminhada por conta própria. A entrada do Museo Regional de Ancud não é cobrada. Confira se o forte tem ingresso no local.
Dica: Combine com o passeio às Pinguineras de Puñihuil no mesmo dia.
Melhor época: O ano todo. De dezembro a março há mais dias secos.
Chepu: bosque afundado de barco ou caiaque e Muelle de la Luz
Sai de Ancud ou Castro Excursão ou carro, com trechos de ripio, e barco ou caiaque cerca de 6 horas dia inteiro fácil a moderada
Chepu fica na costa oeste de Chiloé, ao sul de Ancud, onde o Río Chepu encontra o Pacífico; o nome, em língua mapuche, quer dizer lugar de encontro. No terremoto de 1960, o maior já registrado, o terreno afundou perto do rio, a água do mar invadiu o vale e matou o bosque. Ficaram muitos troncos secos e esbranquiçados dentro de um banhado, que dá ao lugar o apelido de bosque afundado. A área é um refúgio de aves, inclusive migratórias, e parte dela integra o setor Chepu do Parque Nacional Chiloé. Há duas formas de conhecer: de barco, numa navegação de cerca de 40 minutos entre os troncos, seguida de uma caminhada de uns 20 minutos até o Muelle de la Luz, uma escultura de madeira em forma de cais sobre o Pacífico, do mesmo escultor do Muelle de las Almas; ou de caiaque, em saídas de madrugada e manhã cedo organizadas por operadores locais. O acesso a partir da Ruta 5 é por estrada de ripio (cascalho).
Passa por: Chepu, Río Chepu, Muelle de la Luz, Parque Nacional Chiloé.
Inclui: Nas excursões a partir de Castro, em geral: transporte, navegação, guia, ingresso do parque e almoço com uma família local. O caiaque é contratado à parte com operadores de Chepu. Confira a tabela atual.
Dica: Para o caiaque ao amanhecer, o mais prático é dormir em Chepu na noite anterior. Leve roupa impermeável e muda seca.
Melhor época: De outubro a março. Os passeios dependem do tempo e podem ser cancelados com chuva forte ou vento.
Chonchi e Vilupulli: igrejas do sul de Castro
Sai de Castro De ônibus local, carro ou excursão pela Ruta 5 cerca de 4 horas manhã ou tarde fácil
Ao sul de Castro, pela Ruta 5, ficam duas igrejas da lista da Unesco. A Iglesia de Vilupulli (San Antonio de Padua), a cerca de 15 km de Castro, está num morro sobre o Canal de Yal e tem a torre mais alta e esguia do arquipélago; foi construída em minga, o trabalho comunitário chilote. Uns 7 km adiante fica Chonchi, chamada de cidade dos três andares porque as ruas descem em degraus até o mar. Em frente à praça está a Iglesia de Chonchi (Nuestra Señora del Rosario), de influência neoclássica, que guarda o púlpito original preso a uma coluna e tem a abóbada azul pintada de estrelas. Chonchi conserva casas antigas de madeira, do tempo em que o porto exportava cipreste, e uma orla para caminhar. Na feira do povoado se vende o licor de oro, bebida tradicional à base de leite. De Chonchi sai também o caminho para a balsa da Isla Lemuy.
Passa por: Iglesia de Vilupulli, Chonchi, Iglesia de Chonchi.
Inclui: Passeio por conta própria ou em excursão. A entrada nas igrejas não é cobrada, mas elas podem estar fechadas fora dos horários de missa.
Dica: Dá para emendar com a Isla Lemuy no mesmo dia, se estiver de carro. Na volta a Castro, pare na Iglesia de Nercón.
Melhor época: O ano todo. No verão as igrejas abrem mais.
Isla Lemuy: igrejas de Ichuac, Aldachildo e Detif
Sai de Castro ou Chonchi Carro ou excursão, com balsa a partir de Chonchi cerca de 6 horas dia inteiro fácil
A Isla Lemuy fica a leste de Chonchi e pertence à comuna de Puqueldón. Chega-se por uma balsa curta que sai da costa de Chonchi e desembarca em Chulchuy; a travessia leva poucos minutos. A ilha é rural, com estradas entre campos, bosques e pequenas enseadas, e tem três igrejas da lista da Unesco. A Iglesia de Ichuac (Natividad de María), de 1880, tem um relógio pintado na fachada marcando três horas. A Iglesia de Aldachildo (Jesús Nazareno), de cerca de 1910, foi feita de cipreste, coigüe e alerce e tem a abóbada azul pontilhada de pequenas estrelas amarelas. A Iglesia de Detif (Santiago Apóstol), do começo do século 19, é uma das mais simples de Chiloé: fica sobre uma base de pedra, e dentro há barcos em miniatura pendurados, oferendas de marinheiros da região. O passeio rende mais de carro.
Passa por: Isla Lemuy, Puqueldón, Iglesia de Ichuac, Iglesia de Aldachildo, Iglesia de Detif.
Inclui: Passeio de carro ou em excursão. A balsa é paga à parte. A entrada nas igrejas não é cobrada, mas elas costumam ficar fechadas fora dos horários de missa ou de visita.
Dica: Leve lanche e combustível: a ilha tem pouco comércio. Confirme antes se as igrejas estarão abertas.
Melhor época: De dezembro a março, quando as igrejas abrem mais para visita e os dias são mais longos.
Costa leste: Tenaún, Quemchi e Isla Aucar
Sai de Castro ou Ancud Carro ou excursão pela costa leste cerca de 7 horas dia inteiro fácil
Este roteiro pela costa leste junta igrejas, vilarejos de pescadores e uma ilhota-cemitério. A Iglesia de Tenaún (Nuestra Señora del Patrocinio), Patrimônio Mundial, fica ao lado da praça, voltada para o mar, e é o prédio mais visível do povoado para quem chega de barco; a fachada é azul e branca, e a festa da padroeira é em 30 de janeiro. Mais ao norte, a Iglesia de Colo (San Antonio de Colo) é outra da lista da Unesco. Quemchi fica entre Ancud e Castro, a cerca de 60 km de Ancud e 65 km de Castro. É a terra do escritor Francisco Coloane, nascido num palafito do povoado; a Casa Museo Francisco Coloane, ao lado da biblioteca, lembra a obra dele. A cerca de 5 km de Quemchi, uma passarela de madeira de 500 m liga a Isla Aucar à Isla Grande. Na ilhota há uma capela de Nuestra Señora de la Merced, um cemitério, um parque botânico com plantas nativas e um banhado com cisnes-de-pescoço-preto. Coloane a chamou de ilha das almas navegantes. Entre Quicaví e Tenaún há ainda a trilha de Los Molinos, de cerca de 10 km.
Passa por: Tenaún, Iglesia de Tenaún, Quemchi, Isla Aucar, Iglesia de Colo.
Inclui: Passeio por conta própria ou em excursão. A entrada nas igrejas não é cobrada. Confira no local as condições de visita da Casa Museo Francisco Coloane e da Isla Aucar.
Dica: O transporte público entre esses povoados é escasso; vá de carro. Para a Isla Aucar, prefira a manhã e os dias de semana.
Melhor época: De dezembro a março. A festa de Tenaún é em 30 de janeiro e a da capela da Isla Aucar, em 23 e 24 de setembro.
Curanto e cozinha chilota
Sai de Castro, Dalcahue ou Ancud Em restaurantes, cocinerías e festas tradicionais cerca de 2 horas tarde fácil
O curanto é o prato que mais se associa a Chiloé. Na forma tradicional, o curanto al hoyo, pedras são aquecidas no fogo e colocadas num buraco cavado na terra. Por cima vão camadas de mariscos, carnes, batatas e verduras, cobertas com folhas de nalca ou pangue e com terra; tudo cozinha no vapor por algumas horas. Em Chiloé, o curanto ganhou acompanhamentos próprios, como o milcao e o chapalele, massas feitas de batata. A técnica vem de povos indígenas do sul do Chile e passou de geração em geração. Na ilha, o curanto aparece em restaurantes de Castro e de Ancud, nas cocinerías ao lado da feira de Dalcahue e nas festas costumbristas do verão, como o Festival Costumbrista de Castro, no terceiro fim de semana de fevereiro, que reúne curanto, milcao, chochoca e grupos de música chilota. Fora o curanto, a cozinha da ilha tem mariscos, como mexilhões (choritos) e amêijoas, ostras em Curaco de Vélez, batatas nativas de muitas cores e a chicha de maçã.
Passa por: Castro, Dalcahue, Feria Artesanal de Dalcahue, Feria Yumbel.
Inclui: Refeições pagas à parte. Nos restaurantes, o curanto costuma ser servido em porção grande, que pode ser dividida.
Dica: Pergunte se o curanto é feito al hoyo, no buraco na terra. Bebidas fermentadas, como a chicha, são opcionais; o prato é o assunto.
Melhor época: O ano todo. No verão, de janeiro a fevereiro, as festas costumbristas espalham curanto por vários povoados.
Museo de Arte Moderno de Chiloé (MAM Chiloé)
Sai de Castro De táxi ou carro até o Parque Municipal de Castro cerca de 1 hora e meia tarde fácil
O Museo de Arte Moderno de Chiloé (MAM Chiloé) fica dentro do Parque Municipal de Castro, ao norte do centro. Surgiu em 1988, quando um grupo de artistas e moradores buscou um espaço para mostrar arte contemporânea chilena; primeiro expôs num antigo internato em Gamboa Alto e, em 1998, mudou para o prédio do parque, uma construção dos anos 1970 projetada pelo arquiteto Isaac Ezquenazi, depois reformado e ampliado. O acervo tem mais de 400 obras de artistas de Chiloé, do Chile e de outros países, e as exposições principais mudam a cada verão. É uma visita curta, boa para um dia de chuva, e mostra outra face de Castro além das igrejas e dos palafitos.
Passa por: Museo de Arte Moderno de Chiloé, Parque Municipal de Castro.
Inclui: A entrada é por contribuição voluntária. Confira no local os dias de abertura, que podem mudar fora do verão.
Dica: Vá de táxi: o parque fica fora do centro. Combine com um fim de tarde no centro de Castro.
Melhor época: De dezembro a março, quando entram as novas exposições do verão.