Liège fica na Valônia, a metade sul da Bélgica, onde a língua do dia a dia é o francês. É a capital da província de mesmo nome e a maior cidade da região, com cerca de 195 mil moradores, espalhada pelo vale do rio Mosa (Meuse, em francês) no ponto em que ele recebe o Ourthe. O apelido local é Cité Ardente, a cidade ardente, herança de séculos de minas de carvão, siderurgia e revoltas contra o poder de fora.
Por quase oito séculos Liège foi a sede de um principado governado por bispos. O Palais des Princes-Évêques, com seu pátio cercado de colunas, ainda domina o centro, e o tesouro guardado no claustro da Cathédrale Saint-Paul conserva peças de ourivesaria daquela época. Do outro lado da praça, a Montagne de Bueren sobe em linha reta até o alto da antiga cidadela, e aos domingos o mercado de La Batte ocupa a beira do rio.
A cidade também tem sua cara moderna. Quem chega de trem desce na Gare de Liège-Guillemins, a estação branca de aço e vidro desenhada por Santiago Calatrava. Uma passarela leva dali ao parque onde fica La Boverie, o museu de belas-artes. A cultura popular aparece no Musée de la Vie wallonne, com o teatro de marionetes de Tchantchès, e no bairro de Outremeuse, que faz a grande festa de 15 de agosto.
A cerca de 40 quilômetros, nas colinas das Ardenas, fica Spa. A cidadezinha de fontes ferruginosas recebeu reis e nobres desde o século 17 e acabou emprestando o nome a qualquer estância de águas no mundo. Hoje integra a lista de Patrimônio Mundial da Unesco das Grandes Cidades Termais da Europa. Perto dela, em Francorchamps, está o circuito do Grande Prêmio da Bélgica de Fórmula 1.
Na mesma província, mais a leste, vive a pequena comunidade de língua alemã da Bélgica, com sede em Eupen. Para o brasileiro, a Bélgica fica 4 horas à frente de Brasília de fim de outubro a fim de março e 5 horas à frente no horário de verão europeu, de fim de março a fim de outubro.
Este roteiro reúne 2 cidades que combinam na mesma viagem: Liège, Spa.